Contratos da Petrobras vão para Ásia e plataformas gaúchas são abandonadas

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No Brasil, equipamentos com montagem incompleta abandonados sob lonas. Na Ásia, o início dos trabalhos em novas encomendas para a Petrobras.

Enquanto módulos de plataformas de petróleo permanecem com a construção parada há oito meses em um complexo naval gaúcho, empresas asiáticas iniciaram a montagem de componentes que deveriam ser produzidos no Rio Grande do Sul.

A Petrobras rompeu no fim de 2014 o contrato que tinha firmado com a Iesa Óleo e Gás para a construção de 24 módulos para seis plataformas em Charqueadas (a 55 km de Porto Alegre) e desde então o local está sem atividades.

A estatal refez neste ano a concorrência para a construção dos módulos e escolheu companhias da China e da Tailândia para tocar o negócio, o que praticamente inviabiliza o complexo no Rio Grande do Sul.

Milhões de reais da estatal investidos no empreendimento da Iesa podem ser perdidos, já que dificilmente a estrutura incompleta montada no Rio Grande do Sul será reaproveitada.

A Petrobras cancelou o acordo com a Iesa com a justificativa de que a contratada estava desrespeitando exigências. A empresa contratada, que foi um dos alvos da Operação Lava Jato, vivia crise financeira e enfrentava dificuldades para manter os pagamentos em dia. Hoje, o grupo proprietário da Iesa, o Inepar, está em recuperação judicial.

No canteiro de obras de Charqueadas, quase mil funcionários foram demitidos. Atualmente, atuam no complexo industrial apenas seguranças patrimoniais e poucos funcionários administrativos. Estruturas incompletas, tubulações, guindastes e maquinário foram deixados da maneira que estavam na época do rompimento do contrato. Parte dos materiais está até mesmo exposta ao tempo, à espera de uma definição sobre o destino.

Quando o complexo foi lançado, em 2012, a Petrobras divulgou que o valor total dos contratos com a empreiteira era de US$ 720 milhões.

A Folha questionou por meio da Lei de Acesso à Informação quanto foi pago pela estatal à Iesa desde então, mas a Petrobras negou a resposta sob a justificativa de que o negócio foi firmado por meio de um consórcio internacional do qual faz parte. A portuguesa Petrogal também integra a parceria.

A Iesa estimava investimento de R$ 80 milhões apenas para se estabelecer no local. Só o terreno, cedido em parte pela prefeitura de Charqueadas, custou aos cofres municipais mais de R$ 1 milhão.

No município, de 38 mil habitantes, a debandada da indústria do petróleo pôs fim à perspectiva de crescimento acelerado e de geração de milhares de empregos indiretos.

"Pessoas largaram tudo e vieram para cá acreditando que seria um projeto de dez anos. Foi uma enorme frustração e criou um problema social para a cidade. Ninguém mais acredita em um polo naval aqui", diz o presidente do sindicato local dos metalúrgicos, Jorge Luiz Carvalho.

OUTRO LADO

A Agência Nacional do Petróleo questionou a Petrobras formalmente sobre a transferência das encomendas para fora do Brasil, já que isso poderia contrariar a política de conteúdo local obrigatório. A agência diz que a estatal "ainda" está esclarecendo a questão.

Procurada, a Petrobras informou apenas que as empresas contratadas fora do país preencheram requisitos de "pré-qualificação" definidos no convite.

Também disse que está impossibilitada de retirar as estruturas e materiais que estão em Charqueadas devido a uma decisão judicial e informou que está tomando "medidas cabíveis" em defesa de seus interesses.

A estatal não esclareceu de que maneira pretende reaproveitar a estrutura já montada no Rio Grande do Sul.

Apesar do desfecho de Charqueadas, a Petrobras encaminhou a permanência de um outro projeto no Estado que envolve a Iesa.

A estatal definiu que manterá na cidade de Rio Grande, no sul gaúcho, a construção das plataformas P-75 e P-77, que serão montadas por um consórcio formado pela Queiroz Galvão e pela Iesa. O início da construção era previsto para 2014, mas esteve ameaçado devido à crise no setor de petróleo no país.

A reportagem procurou o grupo Inepar, que não respondeu às perguntas encaminhadas. 

Fonte:Folha de São Paulo/FELIPE BÄCHTOLD/DE PORTO ALEGRE

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Irã e potências mundiais chegam a acordo nuclear

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O Irã e as grandes potências conseguiram concluir, nesta terça-feira, um acordo histórico em Viena, na Áustria, para limitar o programa nuclear iraniano. O objetivo é evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear e garantir que o programa nuclear seja usado apenas para fins pacíficos. Em troca, serão retiradas as sanções internacionais contra o país.

“Hoje é um dia histórico. É com grande honra que anunciamos ter alcançado um acordo nuclear com o Irã”, disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, durante o anúncio oficial. "As decisões que tomamos hoje não tratam apenas do programa nuclear iraniano, mas também podem abrir um novo capítulo nas relações internacionais".

Os chefes da diplomacia do Irã, do grupo 5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) e da União Europeia negociavam há 17 dias no palácio de Coburg da capital austríaca.

As discussões deveriam ter acabado em 30 de junho, mas a data limite foi prorrogada em várias ocasiões em função das divergências em "questões difíceis", que terminaram solucionadas.

O acordo foi celebrado principalmente pelo presidente americano, Barack Obama, e iraniano, Hassan Rohani. Mas apesar dos avanços, ele não encerra a controvérsia sobre uma das questões diplomáticas mais críticas no momento: a União Europeia o definiu como um "sinal de esperança para o mundo inteiro", enquanto o governo de Israel o chamou de "rendição histórica".

De acordo com a diplomata italiana, o texto é complexo, detalhado e técnico, mas respeita os interesses dos envolvidos. O acordo completo deve ser tornado público ainda nesta terça.

“É um bom acordo, para todos os lados. Estamos comprometidos que ele seja plenamente implementado. Pedimos que a comunidade internacional apoie a implementação desse acordo”, afirmou Federica Mogherini. “É o fim destas negociações, mas não é o fim de nosso trabalho conjunto.”

Esperança

"Hoje poderia ter sido o final da esperança, mas estamos perante um novo capítulo", disse o chanceler iraniano, Mohammed Javad Zarif, sobre o fim das negociações na capital austríaca para se fechar o histórico acordo. "Acho que esse é um momento histórico. Estamos fechando um acordo que não é perfeito, mas sim o que pudemos conseguir. É uma conquista importante", destacou.

Ao mesmo tempo, o Irã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assinaram um "mapa do caminho" que autoriza uma investigação sobre o passado do programa nuclear de Teerã, em função da suspeita de uma possível dimensão militar, anunciou o diretor geral do órgão da ONU.

"Acabo de assinar o mapa do caminho entre a República Islâmica do Irã e AIEA para o esclarecimento das questões em suspenso do passado e do presente relativas ao programa nuclear iraniano", declarou Yukiya Amano à imprensa, antes de celebrar o "avanço significativo" que o acordo representa.

"Confio em nossa capacidade de cumprir com este importante trabalho", afirma o diretor geral da AIEA em um comunicado publicado na sede do organismo da ONU, em Viena.

Acordo

O objetivo do acordo é assegurar que o programa nuclear iraniano tenha um caráter não militar, em troca da retirada das sanções internacionais que asfixiam a economia do país. O texto, que autoriza Teerã a prosseguir com o programa nuclear civil, abre o caminho para uma normalização da presença do Irã no cenário internacional.

O documento final entre Teerã e as grandes potências, de cerca de 100 páginas, prevê a eliminação de todas as sanções internacionais contra o Irã, que também sairá da lista de países sancionados pela ONU.

O pacto final tem como base os grandes princípios estabelecidos em Lausanne em abril: Teerã se compromete a reduzir a capacidade nuclear (redução de dois terços do número de centrífugas de urânio em 10 anos, de 19.000 a 6.104, diminuição das reservas de urânio enriquecido) durante vários anos e a permitir que os inspetores da AIEA realizem inspeções profundas em suas instalações.

O Irã aceitou conceder um acesso limitado a locais militares, com base no protocolo adicional que permite um controle reforçado do programa nuclear de Teerã, afirmou uma fonte iraniana.

"Nossos locais militares não estão abertos aos visitantes porque cada país tem o direito de proteger seus segredos. O Irã não é uma exceção. No entanto, o Irã vai aplicar e protocolo adicional (ao Tratado de Não Proliferação Nuclear) e com esta base dará um acesso programado a certas instalações militares definidas no texto", declarou a fonte.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores russo, o Irã será autorizado a conduzir pesquisa e desenvolvimento com urânio para centrífugas avançadas durante os primeiros 10 anos do acordo, de uma maneira que não acumule urânio enriquecido.

Sanções

As agências de notícias informam que o país vai continuar submetido a um embargo no comércio de armas por pelo menos cinco anos, e sanções contra mísseis por oito anos.

As sanções voltam a entrar em vigor caso alguma parte do acordo não seja cumprida pelos iranianos. A aplicação das medidas do pacto será dividida em três etapas: uma preliminar, uma operacional e outra executiva.

Segundo a agência estatal iraniana IRNA, “bilhões de dólares em ativos iranianos congelados serão liberados, as proibições referentes à aviação do país serão canceladas após três décadas”, assim como as restrições contra o Banco Central iraniano, o Exército do país e outras empresas estatais.

As sanções poderão ser levantadas progressivamente a partir do início de 2016, mas o acordo também prevê seu restabelecimento em caso de violação dos compromissos por parte da República Islâmica, informou um diplomata francês, segundo a France Presse. Elas voltariam em 65 dias caso o acordo seja violado, disse à Reuters.

O levantamento das sanções deverá esperar uma reunião da AIEA prevista para o meio de dezembro, na qual será confirmado que o Irã respeita seus compromissos.

Fonte: G1
Imagem: Foto: Joe Klamar/Associated Press

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PETROBRÁS DECIDE ADIAR INÍCIO DE OPERAÇÕES EM NOVAS DESCOBERTAS NO SERGIPE

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O investimento em novas explorações começa a ser afetado conforme a Petrobrás atravessa um conturbado período financeiro. A estatal decidiu adiar para a próxima década o início das operações em águas profundas na área do Sergipe, que estava previsto para 2018. A região é detentora de um enorme potencial de reservas, e é considerada a maior descoberta de petróleo feita no país após o pré-sal.

Ainda que não comprovadas, as projeções apontam para a existência de ao menos 3 bilhões de barris nas descobertas feitas na região, o que equivaleria a um quinto das reservas provadas brasileiras ao fim de 2014. A área apresentou, apenas nos últimos 12 meses, oito descobertas comunicadas à Agência Nacional do Petróleo (ANP), e vem sendo considerada a próxima fronteira petrolífera no Brasil.

“Os projetos continuam na carteira da Petrobrás, em data posterior a 2020, sem prejuízos à curva de produção prevista no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 da companhia”, afirmou a estatal em comunicado. A empresa previa a construção de duas plataformas para a região ainda nesta década, mas as unidades não são mencionadas em seu novo plano de investimentos.

O consultor especial do governo de Sergipe para a área de petróleo e gás, José de Oliveira Junior, lamenta a decisão, que pesará sobre a infraestrutura local para escoamento de gás natural. “Esperávamos uma adiamento (das plataformas em Sergipe), mas achávamos que o início da produção ainda seria mantido para antes de 2020″, afirmou ele. “O lado bom é que as descobertas da Petrobrás nos últimos anos devem atrair interesse para o Estado no próximo leilão da ANP, que tem blocos bastante promissores em Sergipe”, ressaltou Oliveira.

O leilão da ANP será realizado no dia 7 de outubro, e o bloco mais caro oferecido na rodada tem um lance mínimo de R$ 73,9 milhões. A área do Sergipe ainda não possui produção de petróleo em águas profundas, mas seu sucesso exploratório tem rendido grandes expectativas para a 13ª Rodada de Licitações.

Fonte: Petronotícias

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Presidente da Petrobras não descarta novo aumento da gasolina

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Aldemir Bendine, presidente da Petrobras, não descarta novo aumento da gasolina este ano.

Em entrevista publicada na Folha de São Paulo, ele disse que a empresa tem "independência na política de preços" e não vai se sujeitar nem ao governo nem ao mercado:

"Seria mais fácil, neste momento de expectativa, promover aumento, mesmo sem base (...) Não dá para garantir [que não haverá reajuste]".

Consultorias tem incluído um aumento da gasolina em seus cenários-base de inflação para 2015. O último aumento foi em novembro (3%), mas o preço subiu também neste ano por causa da volta da Cide e aumento do PIS/Cofins.

Em referência ao novo plano da empresa que cortou os investimentos em 37%, Bendine disse que não pretende olhar para o retrovisor e que fará uma busca "frenética" por eficiência e redução de custos, o que inclui vender ativos "que não fazem mais sentido".

Ele também disse que pretende negociar para diminuir o passivo tributário e considerou "inoportuna" a discussão sobre o modelo de concessão.

Questionado sobre comentários de Graça Foster nos bastidores de que ele "não entende nada de petróleo", Bendine disse desconhecer e rebateu: "Você acha que o problema da Petrobras hoje é de petróleo?".

Fonte: EXAME.com
Por: João Pedro Caleiro
Imagem: Paulo Fridman/Bloomberg

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