COPPE/UFRJ COMBATE POLUIÇÃO POR MERCÚRIO

Em 1950, o mundo ficou chocado com a tragédia ocorrida em Minamata, Japão, um surto de uma doença contagiosa que contaminou milhares de peixes e centenas de pessoas acabaram adoecidas com problemas no sistema nervoso. Somente em 1968 a verdadeira causa veio à tona, se tratava do composto cloreto de etil-mercúrio (C2H5HgCl). Esse composto organometálico era proveniente de uma Indústria influente na região, que empregava boa parte dos moradores. A referida Indústria, até então respeitada, lançava poluentes nas águas que banhavam a baía de Minamata.

Além das atividades industriais, as queimas de combustíveis fósseis são responsáveis pela emissão de altas taxas de mercúrio no ambiente. Segundo mapeamento do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP na sigla em inglês), estima-se um aumento de 1480 toneladas emitidas em 2005 para 1850 toneladas em 2020 nos níveis mundiais de mercúrio, atingindo regiões até então pouco afetadas como alguns países da América do Sul, entre eles o Brasil. Segundo pesquisadores, caso medidas não sejam adotadas de imediato, até 2050 serão lançadas na atmosfera cerca de oito mil toneladas de mercúrio, com acumulação de duas a três mil toneladas no meio ambiente.

Preocupados com esses danos, pesquisadores da Coppe/UFRJ estão desenvolvendo um sistema para remover mercúrio de efluentes líquidos e do petróleo. Em alguns poços que possuem reservatórios de gás natural ou petróleo, já têm elevados índices de mercúrio e outros não. A contaminação também pode ser via lençol freático. O processo criado pelo instituto capta o mercúrio sem deixar resíduos tóxicos, evitando o passivo ambiental produzido nos métodos tradicionais em uso. No sistema concebido pelos pesquisadores do Laboratório da UFRJ o material contaminado com mercúrio passa por uma coluna com adsorvente um sólido a base de fosfato, que captura o metal e o fixa na sua estrutura, evitando a recontaminação do meio ambiente.

Nos outros processos existentes, ao se regenerar o adsorvente, o mercúrio é condensado, transformando-se em mercúrio líquido, que tem que ser removido e estocado. Muitas vezes, porém, este mercúrio acaba "fugindo" e contaminando novamente o meio ambiente. De acordo com especialistas, não existem dados sobre a quantidade e a forma como esse metal é armazenado. O risco de gerar um passivo ambiental é grande. Por se acumular no organismo e no ecossistema, mesmo valores baixos de contaminação por mercúrio já são perigosos. Além disso, o mercúrio orgânico é o mais letal, podendo ser transmitido por diversas formas, como peixes ou aves contaminadas. Por essa razão, medidas regionais não são suficientes para conter a contaminação.

Coordenado pela professora Salim e Dra. Neuman S. de Resende, do Programa de Engenharia Química (PEQ) da Coppe, o projeto conta com o apoio da Petrobras. “O fato de ter uma empresa como a Petrobras apoiando o projeto não só garante uma implementação mais rápida e eficiente dos resultados obtidos, como difunde e cria uma referência de utilização e de conscientização para outras empresas”, afirmou a Dra. Neumam Resende explicando ainda que os materiais contaminados e que passam pelo sistema desenvolvido pela Coppe, pode ser reaproveitado sem riscos. “Além de atingirmos índices superiores a 99% de remoção, os valores absolutos remanescentes são muito inferiores aos determinados pelas regulamentações vigentes”, explicou a pesquisadora ao Nicomex Notícias.

Por Bruno Hennington
Bruno.h@nicomexnoticias.com.br

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