Bloqueio ao Irã: Primeira disputa direta entre EUA e CHINA pelo controle do petróleo?


A invasão do Iraque respeitou um roteiro semelhante ao apresentado para justificar o bloqueio ao Irã, ou seja, existência de armas ilegais – no caso iraniano a questão atômica – associada ao desrespeito as liberdades. Naturalmente o tema petróleo fica oculto nos documentos oficiais, mas sabemos todos da importância do Oriente Médio para a segurança energética dos Estados Unidos.

Sofrer intervenções externas em função do controle do petróleo não é novidade na história recente do Irã a última ocorreu em 1953 quando o primeiro ministro Mohammed Mossadegh foi deposto após nacionalizar a exploração petrolífera. A respeito deste episódio o historiador da CIA Tim Weiner revela em seu livro, Legado de Cinzas, todo o preparativo do golpe através das embaixadas dos EUA e Inglaterra incluindo a participação do Aiatolá Khomeini inconformado com o caráter laico do governo Mossadegh.

Voltando ao século XXI observamos no Irã à existência de um regime religioso ou clerical no qual existem claros limites a participação do cidadão não associado à religião oficial na vida política nacional, mas estes limites também ocorrem, por exemplo, entre os árabes e noruegueses que restringem a participação no governo aos membros da Igreja oficial. Os EUA pretendem bombardear estes países? A resposta é não. Estes governos não criam obstáculos aos seus interesses e podem apresentar qualquer forma de restrição democrática.

No caso especifico do Irã a Revolução Islâmica, no final dos anos 70, representou uma modificação nas relações comerciais com os EUA criando para os antigos persas a necessidade de busca por novos consumidores. Neste momento surgem os chineses e seu imenso apetite por petróleo.

Em 2010 a China assumiu a condição de maior investidor estrangeiro no Irã controlando aproximadamente 100 empresas de extração e comercialização de petróleo. A compra de armas, atividade tradicionalmente paralela ao ramo petrolífero, do Irã também ocorre preferencialmente através dos chineses.

Ampliando do Irã para o Oriente Médio vamos observar uma clara dependência dos Chineses, a mesma dos EUA, do petróleo produzido nesta região existindo cálculos apresentando valores de 58% do total consumido na China em 2010 com estimativas de aumento para 70% em 2015. O problema para os chineses está na presença militar estadunidense gerando a possibilidade – em caso de conflito entre as duas potências – de embargo do fornecimento petrolífero e conseqüente paralisação das atividades econômicas.

No caso dos Estados Unidos precisamos lembrar o método de trabalho quando o tema é petróleo não existindo simplesmente uma atitude egoísta em controlar áreas produtivas. A segurança energética dos EUA considera a idéia de “pico da produção” entendendo a existência da produção máxima petrolífera e sua queda a partir de sua verificação tornando necessário o controle imediato das reservas conhecidas.

A China apoiou a resolução 1929 da ONU instituindo o bloqueio ao Irã, mas apresenta-se preocupada diante dos recentes episódios visando a queda do regime e busca meios de atenuar mostrando-se favorável a negociação no sentido contrário os EUA amplia a pressão para liquidação econômica do Irã. Neste ponto a presidente da Comissão de Assuntos exteriores da Câmara a republicana Ross-Lehtinen anuncia claramente a intenção de derrubar o regime iraniano para “impor” a democracia naquele país. Para quem duvida das intenções da deputada basta lembrar-se de suas declarações defendendo o assassinato de Fidel Castro e seu apoio aos movimentos separatistas do Tibet. Este é o pensamento da maioria dos deputados da grande democracia.

Para piorar a situação existe sempre a possibilidade de invasão do Irã podendo ocorrer através das forças militares de Israel – este plano está pronto e anunciado desde 2009 – fato gerador de um conflito maior envolvendo todo o Oriente Médio com possibilidade de aplicação de artefatos atômicos e isso não seria nada bom para todo o planeta. Este é o mundo comercial do petróleo.

Por: Wladmir Coelho
Fonte: Equipe UP

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