Shell planeja extrair gás em águas profundas

A adoção de uma nova tecnologia, liderada pela Royal Dutch Shell, para extrair o gás natural inexplorado em águas profundas poderá transformar o setor mundial de gás natural liquefeito (GNL). O salto de qualidade - terminais flutuantes de gás natural liquefeito - possibilitarão que o gás seja recuperado de campos considerados no passado pequenos demais ou distantes demais da costa para justificar a infraestrutura necessária para bombear o gás para a terra firme, para as usinas de GNL.

"Esse é um fundamental marco histórico no desenvolvimento do setor de GNL", diz Andrew Pearson, diretor de pesquisa em GNL do grupo de pesquisa em produtos energéticos Wood Mackenzie. "Isso vai mudar o setor."

A Shell é a primeira produtora a investir num projeto de vários bilhões de dólares, ao qual destinou US$ 500 milhões e 15 anos de pesquisa. A unidade Prelude de plataformas flutuantes de GNL da Shell, de 488 metros de comprimento e 600 mil toneladas, deverá ser a maior instalação "offshore" do mundo - seis vezes maior que o porta-aviões de maior porte. A empresa pretende que a primeira carga saia da Prelude em 2017.

No mundo inteiro, a Shell estima que os depósitos de gás alcancem de 6,8 bilhões a 8,2 bilhões de metros cúbicos

Outras empresas também estão desenvolvendo projetos, embora menores. A FLEX LNG encomendou quatro unidades à Samsung Heavy Industries da Coreia, enquanto a brasileira Petrobras, o britânico BG Group, a espanhola Repsol e a portuguesa Galp Energia enviaram convites formais a três empresas terceirizadas para que participem da concorrência por serviços de engenharia pesada, agenciamento de compras e construção de um projeto plataforma flutuante de GNL para uso potencial em águas profundas brasileiras.

A primeira unidade de FLNG da Shell ficará a 200 quilômetros ao largo da costa da Austrália, onde Neil Gilmour, o diretor-geral da Shell de plataformas flutuantes de GNL, diz que há mais de 100 trilhões de pés cúbicos (2,8 bilhões de metros cúbicos) de depósitos de gás descobertos e não explorados - o equivalente a cerca de cinco vezes o consumo anual total de gás dos EUA.

No mundo inteiro, a Shell estima que os depósitos de gás alcancem 240 a 290 trilhões de pés cúbicos (de 6,8 bilhões a 8,2 bilhões de metros cúbicos), embora Gilmour observe que esse cálculo é conservador, pois exclui o gás não explorado em águas rasas, em campos muito pequenos, em áreas glaciais e os "ainda" não descobertos.

Raoul LeBlanc, diretor-sênior da consultoria PFC Energy, diz que muitos depósitos de gás de médio e pequeno porte não são sequer contabilizados como reservas. "Vários deles são simplesmente registrados num empoeirado livro de descobertas não comerciais ou perspectivas sem sondagens", disse LeBlanc. Ele acrescenta, no entanto, que a plataforma flutuante de GNL vai ativar esses depósitos: "Isso abre o caminho para todo um novo recurso que é negligenciado, ou sequer procurado."

Joe Stanislaw, assessor-sênior independente da Deloitte, comparou a concepção das plataformas flutuantes ao salto de qualidade tecnológico representado pela produção de gás a partir do xisto betuminoso.

"A plataforma flutuante é o mesmo que o xisto betuminoso", diz Stanislaw. "Em ambos os casos, sabíamos que havia gás lá embaixo. Apenas não era econômico produzi-lo. A descoberta tem o potencial de transformar o setor de exploração em águas profundas." No entanto, Pearson observa que a tecnologia da plataforma flutuante vai apenas mudar o setor de GNL, que responde por cerca de 10% da demanda mundial de gás.

Mas ela pode ser útil em áreas politicamente delicadas, como o projeto Sunrise entre a Austrália e Timor Leste, onde as empresas exploradoras terão de escolher um país para instalar uma unidade em terra. Ela poderá também ser útil se um duto até a costa tiver de passar sobre uma vala de águas profundas, ou se as empresas exploradoras enfrentarem dificuldades para sugerir uma grande unidade em terra.

Robin West, presidente do conselho de administração da PFC Energy, acha que a demanda por gás vai crescer drasticamente e que muitas pretendidas unidades de GNL fixas não serão construídas em grande medida devido à fragilidade dos patrocinadores corporativos ou a preocupações de ordem geopolítica.

A PFC Energy prevê que a capacidade mundial de produção do GNL aumentará 4,2% ao ano de 2010 a 2020, comparativamente a um plano anunciado pelo setor que apontava para uma expansão de 7,3%. A demanda por GNL deverá aumentar a 5% ao ano, segundo previsões. "Consideramos que haverá uma enorme demanda por gás", disse West.

Gilmour observa que a primeira plataforma flutuante de produção de petróleo foi construída em 1977. Agora existem cerca de 150 em uso em todo o mundo, com 30 a 50 transferências até o momento. "É possível que a tecnologia de plataformas flutuantes de GNL tome o mesmo caminho", diz ele.

(Fonte: Valor Econômico/Sheila McNulty | Financial Times, de Housto/Tradução de Rachel Warszawski)

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