Petrolífera ConocoPhillips resolve se desmembrar

A ConocoPhillips, gigante petrolífera americana, anunciou que vai desmembrar suas unidades de refinaria e produção em duas empresas de capital aberto, uma decisão rara para uma empresa desse porte num setor que tradicionalmente considera quanto maior, melhor.

"Chegamos à conclusão de que [a cisão] seria a melhor maneira de criar valor para nossos acionistas", disse o diretor-presidente da ConocoPhillips, James Mulva, em uma teleconferência com investidores. Mulva pretende se aposentar após a conclusão da cisão, que deverá acontecer no primeiro semestre do próximo ano.

A ConocoPhillips é a mais recente petrolífera a adotar esta separação, seguindo os passos das também americanas mas bem menores Marathon Oil Corp, El Paso Corp e Williams Cos, entre outras. É mais uma jogada da terceira maior petrolífera dos Estados Unidos em valor de mercado em sua estratégia iniciada há dois anos para elevar o valor de suas ações.

A ConocoPhillips embarcou em uma onda de compras durante o boom do setor na década passada que a carregou com uma pilha de dívida. Em 2009, ela tentou vender US$ 10 bilhões em ativos não essenciais para reforçar suas finanças. O plano foi estendido em março.

A empresa não havia dado indicações de uma cisão, embora Mulva tenha dito que todas as opções estavam sendo consideradas. Ainda assim, ele apoiou a integração das operações de produção e exploração com o braço de refino da ConocoPhillips na assembleia anual de acionistas em maio. "Temos uma grande convicção sobre o modelo integrado", disse a repórteres depois da reunião. "Sentimos que o modelo integrado funciona para nossa empresa, mas gostaríamos de ter mais [exploração e produção] em nosso portfólio, e menos refino."

"Nossa visão realmente não mudou", disse Mulva ontem. Para criar valor, a empresa tinha que crescer para ser competitiva, disse, acrescentando que tanto a divisão de refino quanto as operações de exploração e produção se beneficiaram de seu tamanho."Acreditamos que, como empresas separadas, com mais alcance e tamanho, elas têm condições muito melhores de competir".

O plano de vender ativos, incluindo as operações de refino menos competitivas, continuará paralelamente à cisão, informou a empresa sediada em Houston. A ConocoPhillips também deve continuar com um programa de recompra de ações de US$ 11 bilhões este ano e continuará pagando seus dividendos no mesmo nível, de acordo com Mulva.

O executivo disse que a empresa estava estudando seriamente as opções para a venda de ativos de refino desde o final do ano passado, concluindo que um desmembramento era a melhor forma de criar mais valor para os acionistas. Como uma empresa independente, disse, ela será capaz de investir de forma mais criativa e oferecer mais oportunidades de trabalho para seus empregados.

Mulva, que havia anunciado anteriormente que planeja se aposentar no próximo ano, foi o arquiteto de uma série de acordos destinados a ampliar o alcance internacional da empresa e diversificar sua carteira de ativos.

Mas ao contrário de rivais maiores como a ExxonMobil Corp. e a Chevron Corp., a ConocoPhillips embarcou em uma onda de aquisições durante a década de 2000, quando os preços do petróleo e do gás estavam em alta, acumulando muitos ativos que, mais tarde, pesaram sobre a sua rentabilidade.

Mulva, que, como diretor-presidente da Phillips Petroleum Co. liderou a fusão, em 2002, que criou a ConocoPhillips, supervisionou seis anos de um ritmo frenético de negócios. Sob sua supervisão, a Conoco comprou 7,3% na petrolífera russa OAO Lukoil Holdings em 2004, por US$ 2,4 bilhões, uma fatia que depois aumentou para quase 20%; a produtora de gás americana Burlington Resources por US$ 35 bilhões em 2006 e pagou US$ 8 bilhões para participar de uma joint-venture de gás natural liquefeito na Austrália em 2008.

Todos esses negócios elevaram a ConocoPhillips às fileiras das maiores petrolíferas do mundo, mas também a deixaram com uma dívida muito maior que a de seus concorrentes, tornando a Conoco vulnerável quando os preços de combustíveis caíram no final de 2008. Enquanto a Exxon Mobil e a BP PLC aproveitavam a crise para comprar ativos de rivais mais fracos, a Conoco se viu forçada a cortar gastos e demitir trabalhadores.

"Eles compraram na alta e venderam na baixa", diz Philip Weiss, um analista de petróleo da Argus Research.

Desde o final de 2005, a ação da ConocoPhillips subiu 27,8%, em comparação com aumentos de 46,8% e 85,1% para a ExxonMobil e a Chevron, respectivamente.

Mulva defendeu ontem numa entrevista para o Wall Street Journal sua estratégia de transformar a ConocoPhillips em um gigante, dizendo que tanto o braço de refino como o de exploração e produção se beneficiaram de sua massa crítica.

Analistas do UBS disseram que é improvável que a medida produza valor significativo porque a ação da Conoco já está sendo negociada a um valor superior ao de seus pares, e seus ativos de refino são menos atraentes do que outras empresas.

(Fonte: Valor Econômico/Isabel Ordóñez e Daniel Gilbert | The Wall Street Journal/Colaborou Lauren Pollock.)

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