BG planeja ser a segunda no Brasil

A britânica BG Group, empresa integrada de gás natural, planeja tornar-se até o fim da década a segunda maior produtora de petróleo do Brasil, atrás apenas da Petrobras. Para atingir a meta, a companhia terá investido US$ 30 bilhões no país até 2020, quando espera estar produzindo 550 mil barris de óleo equivalente (BOE) por dia. Desde o início da década até hoje a BG conseguiu um rápido progresso no país. Desde 2000 a empresa investiu no país cerca de US$ 5 bilhões. E prevê aplicar mais US$ 25 bilhões até 2020.

A maior parte dos recursos será aplicada em atividades de exploração e produção em cinco blocos do pré-sal na Bacia de Santos nos quais a empresa é sócia da Petrobras e de outros parceiros privados. "Não há dúvidas de que nos tornaremos o segundo maior produtor de hidrocarbonetos [do país] depois da Petrobras", disse ontem ao Valor o presidente mundial da BG, Frank Chapman. Segundo Chapman, o Brasil passará a produzir em 2020 cerca de um terço da produção mundial do grupo. Em 2010, o Brasil contribuiu com apenas 1% da produção da BG, segundo dados do balanço da empresa.

Chapman está no país com outros diretores e conselheiros da BG para participar da reunião do conselho de administração da companhia. Segundo ele, a realização do encontro no Rio, onde fica a sede da BG Brasil, relaciona-se com o fato de o país ser hoje um dos mercados mais importantes, em termos de crescimento, na carteira da BG.

A BG é sócia não-operadora nos blocos BM-S-9, onde tem 30%; BM-S-10 (25%), BM-S-11 (25%) e BM-S-50 (20%). No BM-S-52, onde tem participação de 40%, a BG é operadora somente na fase exploratória.

Os bons resultados obtidos pela BG no Brasil podem ser explicados por vários motivos, afirmou Chapman. Ele disse que um deles foi a "sorte" de ter compartilhado com a Petrobras algumas das melhores descobertas feitas no pré-sal. Uma delas foi o BM-S-11, onde está o campo de Lula, com reservas inicias estimadas entre 5 e 8 bilhões de BOE. "O nível de recursos que podemos descobrir [no Brasil], em volume de hidrocarbonetos, é gigantesco", disse Chapman.

As reservas da BG, nos campos nos quais participa no Brasil, são estimadas pela empresa em 6 bilhões de BOE, com potencial de chegar a 8 bilhões de BOE. O volume previsto dobrou em relação à estimativa inicial de reservas feita pela companhia em 2010, de 3 bilhões de barris de óleo equivalente. Como resultado de reservas maiores, a BG passou a prever uma produção diária no Brasil, em 2020, de 550 mil BOE, quase 40% acima da previsão inicial de produção feita pela empresa para o fim desta década, que era de 400 mil BOE/dia.

Nelson Silva, presidente da BG Brasil, disse que a previsão de uma produção maior em 2020 foi possível graças à revisão das reservas e recursos feita pela empresa em 2010. As reservas são os volumes recuperáveis e os recursos são os volumes que a empresa acredita que vai recuperar em uma segunda fase de exploração. No BM-S-11, a plataforma Cidade de Angra dos Reis está conectada a um poço, no campo de Lula, produzindo cerca de 28 mil barris por dia, disse Silva. A expectativa é de que em breve a plataforma seja ligada a mais dois poços, o que pode permitir terminar 2011 com produção de cerca de 90 mil barris por dia no campo de Lula. Desse total, 25% correspondem à parcela da BG.

Chapman disse que a BG também contou, nas parcerias para explorar as áreas no Brasil, com investidores que contavam com uma rápida comercialização. A BG já fez um embarque de óleo do campo de Lula, cuja declaração de comercialidade ocorreu no fim do ano passado, e espera realizar outra venda até o fim de 2011.

Ontem, Chapman conversou com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e com diretores do banco. O BNDES é potencial fonte de financiamento para o plano de investimentos da BG no Brasil. Mas Chapman disse que o investimento será financiado, sobretudo, com o fluxo de caixa operacional da empresa. Em 2010, a BG, presente em mais de 25 países, registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de US$ 10 bilhões.

Chapman analisou o cenário para acesso a crédito em meio à atual crise econômica nos Estados Unidos e Europa. "Devemos encarar muito seriamente a possibilidade de que vá haver uma diminuição de liquidez no mercado de dívida." Fabio Barbosa, diretor financeiro do BG Group, disse que em função desse cenário a empresa tenta diversificar suas fontes de financiamento. Segundo ele, o fluxo de caixa da empresa é forte e a ideia é financiar o programa de investimentos com recursos próprios e de mercado.

O executivo também deixou claro que os US$ 30 bilhões que estão sendo investidos pela BG no Brasil não consideram novas oportunidades de negócios que possam surgir no país. Perguntado se a BG pode participar de novas rodadas de licitações no modelo de concessão ou se tem planos de disputar contratos no regime de partilha da produção, Chapman respondeu dizendo gostar de uma expressão em inglês segundo a qual um negócio de segunda vez é sempre um bom negócio. Ele se referiu ao fato de a empresa já ter investido muito no país e de que gostaria de fazer novos investimentos.

"Mas não podemos especular. Será preciso ver oportunamente o que vai ser oferecido." Ele também mostrou-se otimista com o desenvolvimento de uma indústria local de bens e serviços para o setor de petróleo. "É uma área na qual estamos alinhados com o governo. É nosso interesse ajudar a desenvolver [a indústria local]."

Fonte:Valor Econômico/Por Francisco Góes | Do Rio

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