Brasil deixa liderança dos megacampos

A não ser que descubra até 31 de dezembro um novo megacampo, o Brasil deixará, pela primeira vez desde 2006, a liderança do ranking de países responsáveis pela descoberta de campos gigantes de óleo e gás. O Brasil foi o líder absoluto nos últimos cinco anos. Em 2011, aparece em quarto lugar, atrás do Irã, do Azerbaijão e da Indonésia.

Mesmo com a queda, o Brasil permanece representado no "top ten" das grandes descobertas realizadas entre janeiro e setembro deste ano, indica levantamento realizado pela consultoria internacional IHS Cera. Foram duas descobertas qualificadas como gigantes, ambas na Bacia de Campos, litoral do Estado do Rio - Gávea e Peregrino Sul.


As razões pelas quais o Brasil deixou a liderança dividem os especialistas do setor. Na avaliação da consultoria, o fato de não estarem ocorrendo leilões de blocos exploratórios desde 2008 pode ser indicado como um motivo importante. Isso porque a descoberta de campos gigantes costuma ocorrer na primeira fase da exploração. Logo, os campos que vêm sendo explorados, licitados há mais de três anos, ou já passaram pela primeira fase ou estão em vias de concluí-la. O vice-presidente da área de exploração e produção da IHS Cera, Bob Fryklund, estima que, "se novas áreas forem abertas à exploração, mais descobertas de campos gigantes podem ocorrer".


Edmar de Almeida, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acha que o argumento de que o Brasil desce no ranking porque novas áreas não são colocadas ao mercado "não é muito bom". Segundo ele, tanto a Petrobrás quanto as demais petroleiras que atuam no Brasil estão envolvidas no desenvolvimento dos campos já descobertos. Para Almeida, "o foco não é achar coisa nova, mas desenvolver o que já se tem", o que "não é fácil, pois há a necessidade de investimentos muito grandes".


"Acho que novas rodadas são importantes, pois vão gerar oportunidades de descobertas na área do pré-sal, especialmente. São importantes também para manter no Brasil as operadoras pequenas e médias, o que causa impacto regional em áreas como a Amazônia", acrescentou ele. A consultoria não divulga os volumes dos megacampos listados.


Gigantes. Peregrino Sul, décima descoberta da lista, teve seu potencial estimado em 300 milhões de barris em abril, quando do anúncio da localização por executivos do consórcio Statoil/ Chinosen. A área fica no pós-sal da Bacia de Campos, no campo de Peregrino.


Quarto colocado no ranking das dez maiores descobertas de 2011, o poço batizado de Gávea fica no pré-sal da Bacia de Campos, a 190 km da costa e a 6.851 metros de profundidade. As perspectivas são de reservas de 3,5 bilhões de barris de óleo. A Petrobrás participa do consórcio exploratório como parceira minoritária, com uma participação de 30%. A operadora Repsol e a Statoil têm 35% cada uma.


O secretário executivo do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Álvaro Teixeira, considera haver ainda a possibilidade de que uma nova descoberta de área gigante venha a ocorrer até o final do ano, embora admita que a hipótese é remota.


"Há cinco, seis anos não se oferecem blocos no pré-sal nas rodadas de licitação. Se tivessem acontecido leilões, os campos grandes estariam agora na fase de descobertas. As grandes descobertas de 2006 começaram em 2002", observou.


Ex-presidente da Associação Brasileira dos Geólogos de Petróleo, Nilo Azambuja, calcula em um período entre três anos a cinco anos o período normal entre o início da exploração e as primeiras descobertas.


"Você percebe que, ao parar de disponibilizar as áreas em leilões, em algum momento haverá um 'gap'. É uma espécie de efeito dominó. Se todas as ações correrem bem, há fluxo. Se algo acontecer nomeio do caminho, a coisa para e gera um 'gap' mais à frente. Sem o leilão, não há o início do processo", afirmou. Ele considera difícil haver ainda alguma grande descoberta este ano, "pois não há tanta área assim" a ser perfurada.


"Pode até haver, mas não com a mesma magnitude", disse ele, referindo-se aos campos gigantes já descobertos.


Procurada pelo Estado, a Petrobrás emitiu curto comunicado a respeito da saída do Brasil do primeiro lugar do ranking. "Desde sua criação, há 58 anos, a Petrobrás tem registrado crescimento sistemático de suas reservas e produção. Para a companhia, esse equilíbrio é vital para seu desenvolvimento e fortalecimento de seu portfólio", diz a empresa.


A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou esperar que a Presidência da República marque a data da 11.ª rodada de licitações, que inicialmente ocorreria no primeiro semestre deste ano. Agora, o leilão, que não contemplará as áreas do pré-sal, acontecerá apenas em 2012,

Fonte: Rio Negócios

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