Os novos rumos da geopolítica do gás natural

Claro que está no começo, mas finalmente a descoberta de reservas de gás natural proveniente de fontes não convencionais no Canadá e nos EUA estão repercutindo na geopolítica mundial. Não é por acaso que investidores asiáticos incentivaram e começaram a participar dos projetos energéticos de fontes não convencionais de gás natural na América do Norte no inicio da década. Eles estão mirando se afastar da dependência do carvão, que ainda é a principal matriz energética da região, assim como também não querer se submeter a ter que pagar pelo caro petróleo vindo do Oriente Médio.

A verdade é que a China e as demais nações asiáticas querem não ter que apelar para a energia nuclear e muito menos continuar na era do carvão. Trocar a matriz de energia é prioridade, aumentando assim a pegada de carbono e a segurança energética. Para tal o gás natural é a solução mais viável em curto prazo. Nessa comparativa cabe uma análise interessante: enquanto a China se preocupa em uma transição de uma fonte fóssil para outra, os EUA querem aumentar sua capacidade de energias renováveis e se livrar de uma parcela da energia fóssil. Ou seja, ao grosso modo, a China quer o gás natural e os EUA estão dispostos a se livrar do excesso dele, até porque enquanto o gás natural estiver abundante nos EUA, ele limita muito a competitividade de fontes renováveis no país.


Só que as implicações desse comércio, caso venha realmente acontecer, não são apenas devido a difícil logística de exportação, onde EUA e Canadá deveriam construir estações de liquefação de gás natural junto a costa para então efetuar o transporte por navio-tanque. O complicado seria a forma como esse comércio altera a geopolítica mundial, onde os países que abastecem o mercado asiático sairiam significativamente prejudicados, no caso a Rússia e os países do Oriente Médio.


Em meio a tudo isso os países asiáticos buscam também estreitar suas relações econômicas e políticas com a América do Norte, só que isso implica em esfriar relações com antigos aliados, principalmente com a Rússia. Com certeza essa balança de relações pode mudar, e o conflito de interesses será motivo para muitas outras mudanças geopolíticas. Resta saber se ambos os lados irão superar as pressões internacionais para concretizarem esse ousado projeto de comercialização energética.

Fonte: GasNet
Por: Maxi

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