Rota do cartel do gás de cozinha no Brasil - Parte I

As investigações do cartel do gás de cozinha mostram o papel das distribuidoras e de nossas revendas, a ASMIRG-BR vem nesta serie de matérias apresentar que este cartel tem uma formação muito maior ao mostrado nas investigações, buscamos explicar e dar clareza ao fato de como 45 mil empresas revendedoras de gás cozinha conseguem ficar refém deste sistema, de quem detém o verdadeiro cartel do gás, quais as conseqüências que empresários do setor revenda pagam por não se submeter a este cartel e o impacto destas ações com a população brasileira que hoje paga com a vida para o fortalecimento de sem duvida, o maior cartel já visto na história do Brasil.


Parte I – O papel da Petrobras no fortalecimento deste cartel


Para entendermos as manobras, os caminhos que alimentam e fortalecem este cartel, é preciso conhecer a origem de sua produção e de que forma é realizada a distribuição do gás de cozinha no Brasil, outra análise que deve ser observado é que as ações e suspeitas de ilegalidades ligadas a Petrobras não se referem a empresa Petrobrás como um todo, acreditamos que o setor do GLP é apenas uma divisao desta conceituada empresa.


O GLP, Gás Liquefeito de Petróleo, tradicional gás de cozinha, é um produto derivado do petróleo, no Brasil as Companhias Distribuidoras, responsáveis pelo enchimento de nossos botijões compram o gás na forma granel, em caminhões tanques ou por meio de tubulações de distribuição da Petrobras. O que chama a atenção nestas suspeitas de ilegalidades é não encontramos a importação do glp em nosso mercado por nenhuma Companhia, ou seja, o preço ofertado pela Petrobras é o mais baixo no mercado internacional e um botijão de gas chega a custar R$ 58,00 com treze quilos.


Primeira suspeita destas denuncias:

Uma Companhia Distribuidora pode importar o GLP, mas relatos em nosso setor mostram que essa importação se torna inviável, um navio tanque ao chegar no porto fica retido aguardando a vez de descarga por um tempo acima dos tramites normais, gerando multas e um atraso até que se torne inviável esse processo de importação.


Segunda suspeita destas denuncias:

Sem a opção de importação, só resta as Companhias Distribuidoras à compra do GLP através da Petrobras. O GLP é um produto extraído do petróleo, portanto suas retiradas se fazem nos terminais das refinarias da Petrobras. Vamos exemplificar a atuação deste cartel usando o Estado de Minas Gerais como referencia, mas ciente que o este sistema de cartel existe em todo território nacional, uma agressão a população brasileira.


Em MG temos a refinaria da Petrobras localizada em Betim, teoricamente nesta base da Petrobras toda Companhia Distribuidora instaladas neste Estado autorizada pela ANP, poderia retirar suas quotas (quantidades) de gás necessária para sua atividade.


Mas esta ação que até então que deveria ser simples e até mesmo uma ação imparcial da Petrobras detentora do monopólio no Brasil, é cheia de sombras escuras, onde destacamos:


Fato 1: Ao solicitar da Petrobras uma proposta de fornecimento de gás, custos para analise técnico-econômica para abertura de nova Companhia Distribuidora, a Petrobras nos encaminha a sua Distribuidora Liquigas, ou seja, qualquer nova Companhia deve solicitar a sua maior concorrente de mercado uma proposta de preço de fornecimento.


Fato 2: A retirada do gás de cozinha pelas Distribuidoras é limitada por uma tubulação ou por um ponto de retirada em MG, esse ponto é chamado de BetimGas, uma base terminal cheia de tanques externo a base da refinaria da Petrobras, onde as Companhias Distribuidoras que não tem acesso a um ponto tubulado de abastecimento, envia seus caminhões tanques para retirada do gás para poderem atuar no mercado.


Mas este ponto de retirada, BetimGas, deveria ser um ponto da Petrobras, qualquer Companhia Distribuidora deveria ter acesso em igualdade para suas retiradas, uma vez que a tubulação de abastecimento da Petrobras é limitada e favorece poucas Companhias. O que ocorre em Minas Gerais é que este terminal é de uma das Companhias que detém este mercado, assim, qualquer nova Companhia ou qualquer Companhia que não esteja alinhada as determinações deste grupo, poderá ficar sem ter como atuar no mercado pela falta do gás, ou terá que buscar em Estados distantes.


A fundamentação destas suspeitas de ilegalidades é facilmente vista com a saída de mercado de uma pequena Companhia no Estado do Espírito Santo, segundo informações do setor, esta pequena Companhia para ter seu abastecimento do gás pela Petrobrás, tinha que buscar em terminais da Petrobras em Estados distantes, o que certamente aumentava seus custos e inviabilizava sua atividade no setor.


O Brasil comercializa mensalmente algo hoje próximo a 35 milhões de botijões mensalmente, e estas ações são vistas como verdadeiras muralhas para a entrada de novos investidores, esta é senão, a primeira de muitas das grandes barreiras, base para um sistema de mercado mais competitivo brutalmente obstruido logo de inicio. A cada etapa deste processo de distribuição, na tradicional rota do gás de cozinha, encontraremos características peculiares, e em cada uma delas encontraremos barreiras, situações, manobras, ações que fazem do setor do gás de cozinha refém de um pequeno grupo que atuam no mercado nacional num total desrespeito não só a nossa legislação, agindo na forma de extorção e colocando em risco a vida de quem faz deste um grande país, o povo brasileiro.


Cordialmente,

Alexandre Borjaili
Presidente
Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, ASMIRG-BR

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