Dilma diz acreditar em recuperação da Petrobras até o final de abril


A presidente Dilma Rousseff afirmou que acredita em uma recuperação da Petrobras até o fim de abril. Em entrevista à agência de notícias americana Bloomberg, concedida na terça-feira (31) e publicada nesta quarta (1), Dilma diz que a estatal vai retomar sua produtividade e vai voltar a dar lucro.

"Nesse processo de descoberta da corrupção, a Petrobras tem condições de passar por isso e superar. Até porque eu acho que ela vai tomar medidas, as mais drásticas. Internacionalmente, empresas em situações similares tomaram. Agora, ela vai ter uma gestão muito melhor. Melhores práticas, condições de se alavancar novamente. [...] Eu tenho certeza que ela conseguirá resolver todos os seus problemas até o fim de abril", afirmou Dilma.

A presidente também disse acreditar que a estatal publicará seu balanço até o fim deste mês. Desde o ano passado, a empresa tem atrasado a divulgação de suas demonstrações financeiras por não conseguir calcular o rombo bilionário de suas contas devido ao esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

"No que se refere à governança, acho que nós estamos ultrapassando os desafios de gestão com várias medidas de compliance. Mas a medida principal será a divulgação do balanço, que acreditamos que cumpriremos até o fim de abril", disse.

Se não entregar as demonstrações do terceiro trimestre auditadas até julho, a Petrobras deverá ter seu nome registrado na "lista de inadimplentes" da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Se não apresentá-las até 14 de novembro, a Petrobras terá seu registro na CVM suspenso e, assim, não poderá ter ações negociadas em bolsa. Com um ano de suspensão, seu registro é cancelado.

Na entrevista, Dilma afirmou que o caso de corrupção descoberto na estatal foi muito além de um problema de gestão e só foi descoberto por causa de investigações da Polícia Federal, que apuravam cartel e lavagem de dinheiro.

"Não era pura e simplesmente uma questão de gestão. Você veja que não tem nenhuma evidência do envolvimento dos dois presidentes. O Conselho [de Administração] era integrado por empresários bastante qualificados", disse.

A presidente voltou a defender a autonomia dos órgãos de investigação e disse que uma operação como a Lava Jato não teria acontecido em outro momento político do país.

"A Polícia Federal não foi nomeada baseada em critérios político partidários. Nós nomeamos todos os procuradores da União baseado na lista apresentada pelo próprio ministério. Criou-se no Brasil as condições para que o país avançasse em direção a um reforço constitucional. Não se pode supor que ela [Lava-Jato] existiria em outros momentos no Brasil. Por que a gente não descobriria isso em outros momentos", disse.

ESTILO DE GOVERNO

Dilma comentou ainda as declarações do ministro Joaquim Levy (Fazenda) sobre o seu estilo de governar. Em evento fechado, Levy disse na semana passada que, embora seja bem-intencionada, Dilma nem sempre faz as coisas da maneira mais eficaz.

"Eu acredito que o ministro é muito importante para o Brasil hoje e tem muita firmeza. Acho que, obviamente, procuram algum jeito de intrigar o ministro Joaquim Levy. Eu li as declarações. Criaram uma tempestade num copo d´água. O que ele disse? Você não necessariamente tem uma única forma de chegar a uma medida", afirmou Dilma.

A presidente explicou que até prefere tomar decisões mais rapidamente, mas disse que aprendeu que, na política, é preciso construir caminhos diversos.

"Eu até prefiro a mais rápida, eu prefiro pelo meu jeito de ser. Mas nem sempre essa é a melhor medida. Às vezes, politicamente, você tem de construir um outro caminho. Nessa necessidade de refazer o processo você tem várias passagens. Aliás, eu acho que isso é na vida. Não é só na aplicação do ajuste", afirmou.

"Nem sempre o amor é linear como uma estrada de ferro. O mesmo podemos dizer sobre a política. Nem sempre você consegue implantar medidas da forma mais direta possível. Nem sempre. Mas sempre que você puder, você tem de optar pelo caminho mais curto, mais rápido e que vai resultar em maior eficiência da situação", completou.

Fonte: Folha de São Paulo
Imagem: Ueslei Marcelino / Reuters

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