A equação do petróleo


O mundo está inundado de petróleo e nada como petróleo barato para acelerar o consumo. É o que está acontecendo agora.

Na última quarta-feira, a Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou seu relatório mensal em que avisa que o consumo mundial de petróleo está aumentando à velocidade mais alta dos últimos cinco anos. Apenas neste ano, será 1,6 milhão de barris diários sobre os 92,6 milhões registrados em 2014. Outro 1,4 milhão de barris diários deverá ser acrescentado em 2016.

Essa demanda mais robusta não é só o resultado da prática dos preços cerca de 50% mais baixos do que os do ano passado. Também tem a ver com o melhor desempenho da economia dos países industrializados, os que queimam mais energia.

O consumo bem mais alto não vem provocando a recuperação dos preços porque a produção também está subindo. A AIE verificou que neste ano são 2,7 milhões de barris a mais por dia sendo despejados no mercado, ante os números de 2014.

O novo acordo nuclear dos Estados Unidos com o Irã deverá bombear ainda mais petróleo. A atual capacidade de produção do Irã é de 2,7 milhões de barris diários e poderá chegar a 3,4 milhões ou 3,6 milhões meses após o levantamento do embargo comercial.

Terça-feira, a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) distribuiu seu próprio relatório em que aponta no bloco uma produção de 1,5 milhão de barris a mais do que o projetado.

Em novembro do ano passado, a Opep anunciara que não reduziria sua produção, o que havia sido sugerido como recurso destinado a provocar a recuperação dos preços, porque optara por tirar do mercado produtores que vinham tomando fatias crescentes do setor. A decisão tinha por objetivo deixar que os preços fossem derrubados para desestimular o óleo de xisto dos Estados Unidos, cuja produção vinha crescendo com força. No entanto, esse segmento vem reduzindo seus custos. Em vez de cair, a produção dos Estados Unidos deve aumentar em cerca de 1 milhão de barris por dia, para 12,78 milhões de barris, o nível mais alto em 40 anos.

Aqui no Brasil, os últimos informes da Agência Nacional do Petróleo são de que a recessão e a perda de poder aquisitivo com a inflação vão baixando o consumo de gasolina em cerca de 10,0%.

A China é a mais nova surpresa, desta vez negativa. O segundo maior consumidor de petróleo desvalorizou sua moeda, o yuan, em 1,9% na terça-feira e, nesta quarta-feira, a moeda chinesa caiu mais 1,6%. A perspectiva passou a ser de nova quebra no consumo, ainda que essa desvalorização tenha sido providenciada para aumentar as exportações e, portanto, a produção interna.

Não há como apostar em recuperação imediata das cotações internacionais. Esses preços baixos deverão produzir uma penca de efeitos. Aqui vão dois: afastar interessados no próximo leilão de áreas de petróleo, agendado para o dia 7 de outubro; e derrubar os preços dos equipamentos destinados à produção, como sondas, plataformas e embarcações, fator que deverá pressionar pelo afrouxamento das exigências de conteúdo local, que atingem a produção nacional.

Fonte: Estadão

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