Petrobrás é a maior devedora da Caixa

BRASÍLIA - Com o novo empréstimo de R$ 2 bilhões, a Petrobrás dispara na posição de principal devedor da Caixa: a estatal já tem cerca de 4% de toda a carteira de crédito do banco. Nos concorrentes, a posição do maior devedor é bem menor, em torno de 1%. O vice-presidente de controle e risco da Caixa, Marcos Vasconcelos, rechaça a preocupação com a concentração com a justificativa de que a Petrobrás tem baixo risco.

O dirigente afirma também que a operação não afeta a capacidade da Caixa de oferecer crédito para outros clientes, como micro e pequenas empresas, já que o banco tem fôlego para até R$ 110 bilhões em novos financiamentos.

De acordo com o último balanço da Caixa, o maior devedor tinha em 31 de março dívida de R$ 3,6 bilhões ou 2,64% de todos os financiamentos.

Somados os R$ 2 bilhões do novo crédito, o porcentual salta para perto de 4%. O nível é muito superior ao observado na concorrência. No Itaú, o maior devedor tinha na mesma data dívida de R$ 1,69 bilhão ou 1% da carteira. No Bradesco, o maior cliente concentrava R$ 2,38 bilhões ou 1,1%. No balanço do também estatal Banco do Brasil não há informação quanto ao maior devedor.

"A concentração (do maior devedor) está em um patamar considerado normal", afirmou Marcos Vasconcelos. Apesar de não demonstrar preocupação, o dirigente argumenta que a Petrobrás é uma empresa de baixíssimo risco e a concentração pode cair rapidamente. "Se o mercado de capitais estiver bom, grandes empresas tomam recursos em outros segmentos e liquidam os empréstimos, o que faz com que a concentração caia", diz.

O presidente da Austin Rating, Erivelton Rodrigues, avalia como muito elevado o peso do maior devedor da Caixa. "Não é comum ter 4%. Mas é necessário observar que a Petrobrás é uma empresa de risco baixo e não tem problemas financeiros em seu histórico", diz.

Operação comercial. Vasconcelos rebate as críticas de que a operação de empréstimo da Petrobrás seria inadequada por envolver dois entes federais. Na visão de críticos, o empréstimo é questionável porque, ao envolver duas instituições controladas pelo governo federal, pode mascarar eventuais interesses ou condições que não seriam reproduzidas no mercado.

O vice-presidente da Caixa rechaça a tese ao afirmar que a operação foi fechada sob condições comerciais adequadas, já que o crédito com grande empresa tem baixo risco e conta com um juro avaliado como razoável. "A ponderação entre a margem de lucro e risco é positiva porque o risco perto de zero compensa a margem que é mais estreita se comparado aos empréstimos no varejo", cita.

A concessão do novo empréstimo à Petrobrás é encarada pela direção da Caixa como uma operação alinhada com o plano de abocanhar uma fatia maior do segmento de grandes empresas. Segundo Vasconcelos, o banco tem recursos suficientes para entrar com mais força nesse setor sem prejudicar clientes menores.

"Não há nenhum tipo de concorrência entre clientes para tomar crédito com os recursos disponíveis. Atualmente, temos folga entre R$ 100 bilhões e R$ 110 bilhões para novos empréstimos", disse o vice-presidente.

Ele também esclarece que empréstimos como o concedido à Petrobrás usam os chamados recursos livres, aqueles que não têm destinação específica e podem ser repassados para qualquer tipo de financiamento e cliente.

É uma situação distinta do dinheiro disponível para, por exemplo, o financiamento da habitação ou saneamento básico - operações que contam com recursos que vêm de uma fonte específica e só podem ser usados para esses fins.

Fonte: O Estado de S.Paulo/Fernando Nakagawa

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