PETRÓLEO VAZA HÁ 50 ANOS NA NIGÉRIA

O ano de 2010 tem sido pródigo em produzir desastres ambientais na indústria petrolífera. Desde abril, devido a uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, operada pela British Petroleum (BP), o óleo vem jorrando no Golfo do México, a despeito de inúmeras tentativas de contenção. Na China, no último dia 16, um acidente com um oleoduto despejou grande quantidade de petróleo no Mar Amarelo, provocando até mesmo a morte de um bombeiro que trabalhava na remoção do material. No entanto, em outro continente, o africano, o petróleo vaza há 50 anos inadvertidamente, produzindo poluição constante em águas nigerianas.

Não se sabe por que, exatamente, essa situação não recebe a mesma atenção quanto os vazamentos de petróleo esporádicos. Basta uma comparação simples e direta para que se tenha a exata noção do impacto dos derramamentos no delta do rio Níger. Em 1989, o vazamento do navio Exxon Valdez despejou cerca de 10,8 milhões de galões de petróleo nas águas do Alasca, ao passo que quase 11 milhões de galões são despejados no Níger por ano – segundo uma equipe de especialistas do governo nigeriano e grupos ambientais locais e internacionais. Essa estatística equivale a não menos que 546 milhões de galões nas últimas cinco décadas.

A situação de Bodo, um dos diversos povoados localizados no Golfo da Guiné, na Nigéria, é fruto da presença de grandes petroleiras internacionais que atuam nas redondezas do rio Níger. Entretanto, a causa principal dos vazamentos em oleodutos não pode ser determinada com precisão. Tal mistério se explica pelo fato da região, apesar de rica em petróleo, ser extremamente pobre e violenta. Com isso, os danos nas estruturas da indústria petrolífera local podem tanto ser resultado de protestos da população – revoltada por não receber benefícios da exploração de hidrocarbonetos - , quanto do descaso das companhias.

Em 2009, a Nigéria produziu mais de dois bilhões de barris de petróleo, quantidade que responde por 10% do que é importado pelos Estados Unidos. Apesar disso, os números negativos chamam mais atenção. Foram registrados mais de sete mil vazamentos entre 1970 e 2000 e cerca de dois mil locais atingidos. Somente a Shell, primeira companhia a chegar no delta do rio Níger, tem mil casos de derramamentos registrados. A região ainda abriga outras gigantes do setor como Chevron, Exxon Mobil e Total, que culpam a sabotagem, pela maioria dos acidentes em seus oleodutos.

Gravidade notória

Uma prova da gravidade dos sucessivos vazamentos de petróleo na Nigéria é um levantamento publicado pela revista norte-americana Foreign Policies, um periódico político-econômico fundado em 1970 e ligado ao jornal Washington Post. A revista elegeu o desastre ecológico nigeriano como o maior da atualidade, mesmo se comparado a outras catástrofes naturais. O derramamento de óleo no país africano “derrotou” fortes concorrentes na lista, como os 62 incêndios subterrâneos que estão em andamento na região da Mongólia Interior desde 1962, o desmatamento que já destruiu 98% das florestas do Haiti, o desaparecimento do Mar Aral, na Ásia Central e o maior depósito de lixo do mundo, entre a Califórnia e o Havaí.

Nicomex Notícias – Redação
nicomex@nicomex.com.br

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