Última audiência sobre instalação do Estaleiro OSX em Biguaçu é a mais tumultuada

A terceira e última audiência pública para debater a instalação do estaleiro OSX em Biguaçu, nesta quinta-feira, no Jurerê Sports Center, em Florianópolis, foi a mais tumultuada de todas e a que concentrou o maior número de manifestantes contrários ao empreendimento.

Parte do público presente ao local, cerca de 700 pessoas, compareceu munida de cartazes em repúdio à OSX, apitos e narizes de palhaço. Ainda na porta de entrada, vários panfletos contrários ao estaleiro eram distribuídos a quem chegava.

Algumas manifestações foram curiosas, como o passeio de pessoas fantasiadas de Bernunça (figura do folclore do boi de mamão parecida com um dragão) em frente à mesa, durante o discurso de apresentação das regras da audiência, feito pelo presidente da Fatma, Murilo Flores. A Bernunça permaneceu percorrendo os corredores durante a audiência.

A predisposição para tumultuar o evento ficou clara desde o início. Paulo Monteiro, diretor da EBX, holding da OSX, foi interrompido enquanto explicava o projeto do estaleiro nos 15 minutos iniciais da audiência.

Flores interveio, pedindo respeito, mas ao sugerir que as pessoas sentadas nas primeiras filas baixassem as placas para que todos vissem a apresentação, também foi vaiado.

— Não estamos aqui brincando. Esta é a terceira audiência. Queremos respeito. Todos podem fazer suas manifestações, esse é objetivo da audiência. Só peço educação e respeito — disse Monteiro ao retomar a palavra para concluir sua apresentação.

Nas duas primeiras audiências não houve tanto tumulto. Em Governador Celso Ramos, muitos pescadores eram contrários ao empreendimento, mas não houve falta de respeito, a não ser por parte de um pequeno grupo visivelmente embriagado.

Em Biguaçu, audiência que concentrou mais de mil participantes, o debate foi de alto nível. O público contrário ao empreendimento levou faixas, mas respeitou as regras e aproveitou para questionar a empresa.
Foram inscritas 99 perguntas da população.

Na audiência em Florianópolis, alguns grupos entoavam canções como "entrei de gaiato no navio, entrei, entrei pelo cano". Apesar de tudo, muitas pessoas tentavam prestar atenção.

Antes de a audiência começar, Paulo Monteiro afirmou que eventos como esse costumam ter manifestações, porque é justamente a oportunidade para a comunidade participar.

Quando iniciou-se o debate, às 21h, 99 perguntas estavam inscritas. A primeira indagou por que as autoridades estão passivas e por que a OSX faz pressão junto a setores econômicos e políticos. Monteiro disse que a empresa não trabalha com pressão.

— Trabalhamos com tecnologia, investimentos sociais e ambientais e respeito às normas. Queremos conversar e se no fim do processo a população não nos quiser, não vamos ficar. Não queremos ser vizinhos de quem não nos quer — afirmou.

Os manifestantes gritaram então:
— Vão embora. Vão para o Rio de Janeiro. Não queremos vocês aqui.

Muitas pessoas pediram à OSX que assinasse garantias de que o estaleiro não se tornará um porto e também um comprometimento sobre impactos futuros. A empresa disse que vai fazer tudo o que a lei determinar.

Em uma medida que não havia ocorrido em nenhuma das duas audiências anteriores, Murilo Flores paralisou o debate para ler o parecer preliminar do ICMBio, órgão ambiental contrário à construção em Biguaçu. Flores levou 13 minutos para ler o documento e concedeu igual período para a OSX apresentar sua argumentação.

Fonte:Diário Catarinense

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