CIENTISTAS CRIAM “BIOPETRÓLEO”

Em tempos em que energias alternativas são discutidas recorrentemente como soluções ao petróleo, principalmente em momentos no qual a exploração da maneira como é feita é contestada, por conta dos desastres de grandes proporções, cientistas acabam ganhando espaço para suas descobertas. É o caso de pesquisadores da empresa norte-americana de biotecnologia LS9 Inc., que identificou genes em bactérias, responsáveis pela produção de moléculas com potencial combustível.

A descoberta abre a possibilidade da produção de um tipo de “biopetróleo”, baseado no mapeamento do DNA de algumas bactérias. Apesar de parecer complexo e, portanto, difícil de ser desenvolvido, esse tipo de estudo vem se tornando mais palpável. “Embora não seja uma pesquisa simples, em função dos recentes avanços das áreas de biologia molecular e bioinformática, estudos como esse vêm se tornando mais fáceis de serem executados. O limitante ainda são os recursos disponíveis, pois as metodologias ainda são caras e o tempo necessário é inversamente proporcional ao volume de recursos disponibilizados, explica o professor do Departamento de Genética da UFRJ, Gilberto Sachetto, em entrevista ao Nicomex Notícias.

De fato, o método utilizado pelos pesquisadores da empresa norte-americana parece simples e é definido como uma estratégia de subtração. Os cientistas escolheram 11 tipos de cianobactérias - algas azuis - cujo DNA completo ja havia sido decifrado. A partir daí, notou-se que dez delas produziam naturalmente alcanos, moléculas de grande potencial energético, e uma não tinha essa característica. Assim, os genomas das dez cepas produtoras de alcanos foram alinhados e deles subtraídos os da única que não produzia a molécula energética. Dos 17 genes restantes, dez tinham funções já conhecidas. Os outros sete, portanto, eram os prováveis responsáveis pela produção de alcanos.

O professor da UFRJ defende que a manipulação genética de microorganismos, ou mesmo de organismos mais complexos, constitui uma alternativa viável para a solução de problemas específicos, como é o caso do setor energético. “Acredito que este trabalho coloca a área de manipulacão genética em foco como uma possibilidade no desenvolvimento de novas fontes de energia”, opina Gilberto, antes de trazer a realidade para o Brasil. “Não quer dizer que essa área venha a substituir as demais que vêm sendo desenvolvidas no país, mas com certeza demonstra o potencial da biotecnologia do desenvolvimento de novos produtos de interesse agro-industrial”.

Produção em grande escala

O estudo em questão está em estágio tão avançado que Andreas Schirmer, líder da pesquisa, já pensa em escala comercial, esperando produzir até 2013, barris de alcano por cerca de US$ 50. A LS9 ainda defende que a vantagem da descoberta é a possibilidade de aproveitar a infraestrutura global já montada (refinarias, postos, motores) para a produção de um combustível renovável que ocupa menos espaço. “Acredito que a perspectiva é interessante e, com certeza, mesmo que no momento a produção em escala comercial possa ser um empecilho, isto poderá ser suplantado com a continuidade das pesquisas e avanço da área”, ressalta Gilberto.

Por Matheus Franco
matheus.f@nicomexnoticias.com.br

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