Novo líder começa reformas na BP

Numa tentativa de recuperar a imagem da BP PLC após o vazamento de petróleo no Golfo do México, o novo diretor-presidente da petrolífera britânica, Bod Dudley, anunciou mudanças importantes e a saída do executivo de alto escalão que supervisionava as operações de exploração.

Ontem, dois dias antes de assumir oficialmente a presidência executiva, Dudley disse também que vai dividir em três a unidade de exploração e produção da BP e ordenar uma revisão da maneira como a empresa administra as empreiteiras terceirizadas.

A mudança estrutural vai criar uma divisão de segurança com amplos poderes para contestar decisões da diretoria que ela achar arriscadas demais. Ela será comandada por Mark Bly, que atualmente é o executivo mais graduado da empresa na área de segurança e também coordenou a investigação interna sobre o acidente na plataforma Deepwater Horizon.

A BP também vai revistar os bônus da gerência, após críticas de que os empregados eram incentivados a aumentar o lucro e a produção, mas não a segurança. Alguns políticos americanos já disseram que o acidente no golfo ocorreu porque a BP economizou na segurança, algo que ela nega.

As mudanças mostram como Dudley planeja ressuscitar a BP após ela entrar na maior crise de seus 102 anos de existência. A empresa londrina perdeu mais de um terço de seu valor de mercado desde 20 de abril, quando um de seus poços no golfo explodiu, destruindo a plataforma de perfuração Deepwater Horizon, matando 11 pessoas e causando o pior derramamento de petróleo no mar na história dos Estados Unidos. A BP finalmente conseguiu tampar o poço este mês.

A reestruturação representa "os primeiros e mais urgentes passos" de um plano para restaurar a confiança na BP, afirmou Dudley num comunicado em escrito. As mudanças ocorrerão em áreas "em que acredito que precisamos agir mais, com a segurança e a administração de risco sendo nossas prioridades mais urgentes".

"A BP percebeu que precisa mudar", disse Peter Hitchens, analista do setor petrolífero na Panmure Gordon. "Outro desastre como esse e ela perderá as operações americanas e pode até falir."

As mudanças são as mais abrangentes na história recente da BP. Mas os críticos da petrolífera na costa do Golfo do México e no Congresso americano ressaltam que ela já fez promessas parecidas de melhorar a segurança após a explosão em sua refinaria Texas City, em 2005, que matou 15 pessoas e feriu 170. O último diretor-presidente, Tony Hayward, assumiu dois anos após o acidente e prometia se concentrar "como um laser" na segurança. Mas os novos procedimentos que ele adotou não conseguiram evitar o acidente na Deepwater Horizon.

A principal cabeça a rolar na mais recente reestruturação é a de Andy Inglis, chefe da divisão de exploração e produção da BP e, na prática, o segundo executivo mais importante da empresa. Ele era próximo de Hayward, que anunciou em julho que vai deixar o cargo após a onda de críticas por causa do modo como a BP lidou com o vazamento.

A saída de Inglis era vista como algo inevitável pelo setor, já que ele comandava as operações de exploração no golfo. A BP informou que ele vai deixar o conselho em 31 de outubro e sair totalmente da empresa até o fim do ano, "em comum acordo".

A reestruturação cria uma divisão de segurança e risco operacional que vai ter funcionários em todas as unidades operacionais da BP. Respondendo diretamente a Bly, a equipe da divisão será responsável por garantir que as atividades da BP sejam executadas de acordo com os padrões habituais do setor.

"Se eles encontrarem algo que não está de acordo com esses padrões, podem avisar diretamente a Mark Bly, que tem autoridade operacional para paralisar tudo", disse um porta-voz. A BP afirma que esses procedimentos teriam evitado o acidente na Deepwater Horizon, porque os especialistas em segurança poderiam ter vetado as decisões tomadas na plataforma que, juntas, causaram o desastre.

"Isso tem que ser uma evolução positiva, mas precisa ser apoiada de maneira adequada em termos de foco administrativo, recursos humanos e alocação de outros recursos", disse Nigel Bowker, um ex-gerente de segurança da BP que agora chefia uma consultoria do setor petrolífero chamada Blackhall Consulting.

A divisão de exploração e produção (E&P) da BP será dividida em unidades de exploração, desenvolvimento e produção, e cada uma delas será comandada por um executivo do alto escalão sob a supervisão direta de Dudley. Até então essa parte da BP tinha um único chefe, atualmente Inglis, que também integrava o conselho. Inglis tinha amplos poderes e era visto como um possível futuro diretor-presidente. Tanto Hayward quanto seu antecessor, John Browne, comandaram essa divisão antes de assumir a presidência executiva.

"A E&P era grande demais para ser administrada por uma única pessoa", disse o porta-voz da BP. "Essas mudanças dão ao diretor-presidente uma visão muito mais clara dessa parte."

O processo de análise das empreiteiras é fruto do relatório de Bly sobre o acidente no golfo. A empresa aceitou parte da responsabilidade mas também acusou suas empreiteiras: a Halliburton Co., que aplicou o cimento no poço, e a Transocean Ltd., dona e operadora da Deepwater Horizon.

Fonte: Valor Econômico/Guy Chazan | The Wall Street Journal

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