Investimento chinês no Brasil em petróleo passa de US$ 10 bi

A compra de 40% da Repsol Brasil pela chinesa Sinopec por US$ 7,1 bilhões, anunciado na sexta-feira, elevou para mais de US$ 10 bilhões os investimentos da China em petróleo no país somente neste ano. Em maio, a Sinochem adquiriu 40% do campo de Peregrino da norueguesa Statoil, por US$ 3,07 bilhões, o que deu acesso à companhia a uma reserva estimada em 2,5 bilhões de barris de óleo, dos quais cerca de 500 milhões de barris recuperáveis. O valor total chega à casa de dezenas de bilhões de dólares se incluído ainda um empréstimo de US$ 10 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China para a Petrobras.

Mas o negócio envolvendo a Sinopec, além do alto prêmio pago pelas ações da Repsol - a oferta avalia a companhia em US$ 17,8 bilhões, bem mais que a estimativa feita durante a expectativa do lançamento de ações na bolsa, de US$ 10,7 bilhões -, abre a porta do pré-sal do litoral brasileiro, em reservatórios como Guará e Carioca, no bloco BM-S-9, na bacia de Santos, aos chineses.

O jornal "Financial Times" destacou que a aliança da Repsol com a Sinopec se encaixa em uma estratégia mais ampla de tirar vantagem dos anos de investimentos pesados em caros programas de exploração offshore no Brasil e em outros países. A companhia espanhola também está vendendo sua participação na YPF da Argentina. "Investimentos pesados, junto com a queda nos preços do petróleo, forçaram no ano passado a companhia a reduzir a distribuição de dividendos aos investidores. A decisão quase desencadeou um levante do conselho de administração contra seu presidente, Antonio Brufau, liderado pela Sacyr, grupo espanhol do setor da construção que está muito endividado e detém 20% da Repsol", publicou o jornal.

O sucesso no Brasil, ainda segundo o jornal inglês, ajudou a repor as baixas reservas da Repsol. De 35% em 2007, após uma baixa contábil de 25%, a companhia diz agora que caminha para atingir uma taxa de reposição de reservas de 125% até 2012. Brufau disse ao "Financial Times", na sexta-feira, que o negócio foi "um bom reflexo do valor criado pelo investimento em meios técnicos, humanos e materiais, feito pela Repsol em exploração, particularmente nas reservas offshore do pré-sal no Brasil nos últimos anos".

O advogado Ricardo Assaf, do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice, que participou da negociação entre Repsol e Sinopec, acredita que o valor de US$ 7,1 bilhões é sinal da disposição chinesa em investir no Brasil. "Isso demonstra um claro interesse dos chineses de serem investidores estratégicos no Brasil." Ele contou que o escritório já tinha trabalhado ao lado da Sinopec em outra proposta de compra de ativos de exploração e produção este ano.

O investimento da Sinopec na Repsol faz parte de uma tendência das empresas chinesas de pagar ágios por ativos energéticos. "Como a Sinopec tem outras considerações além das econômicas, ela vai pagar um ágio para garantir segurança energética para a China", disse Laban Yu, analista do banco australiano Macquarie ao "Financial Times".

Este ano, a Sinopec comprou uma participação na Syncrude, um projeto canadense de exploração de petróleo em areias betuminosas, por US$ 4,65 bilhões. Essa aquisição envolveu um ágio significativo em comparação as avaliações de analistas, afirmou Yu.

A Sinopec foi citada por jornais chineses como uma das interessadas na participação entre 20% e 30% que a OGX pretende vender na bacia de Campos, neste caso fora do pré-sal. A outra concorrente seria a CNOOC, em informação que não é confirmada pela OGX.

Fonte: Valor Econômico/Rafael Rosas | Do Rio

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