Navio só deve ficar pronto em março

A entrega do primeiro navio construído pelo Estaleiro Atlân­tico Sul (EAS) só deve acontecer em março de 2011. Este foi o prazo dado pelo pre­­sidente do EAS, Ângelo Bellelis, em entrevista concedida, ontem, à Folha de Pernambuco, em resposta à matéria exclusiva publicada na edição da última segunda-feira. O prazo inicial era agosto deste ano. Em média, do momento do corte da chapa até a entrega da encomenda, o tempo necessário é de 18 meses. Nes­te caso, o corte foi realizado em setembro de 2008, já completando 24 meses. Segundo Belellis, o atraso é natural por este ser o primeiro navio construído pelo Estaleiro.

“Eu não considero um atraso e sim uma dilatação do pra­zo. Esta construção está servindo para testar o projeto e o sistema. Neste caminho existem percalços e algumas mudanças, o que retarda a entrega”, afirmou. Com um cus­to de US$ 120 milhões, esta é a primeira de uma série de 22 encomendas feitas pela Transpetro (braço logístico da Petrobras).

Atualmente, o petroleiro Suez­max, batizado de João Cândido, encontra-se na fase de interligação do sistema. “Estamos realizando o posicionamento e a interligação dos equipamentos da praça de máquina. As acomodações também estão sendo construídas nesta etapa”, contou. Em seguida, o navio ficará pronto para ser testado no mar, o que deve acontecer em fevereiro do próximo ano.

Em maio passado, o dique seco, compartimento onde as peças das embarcações são montadas, foi inundado para o petroleiro flutuar. A solenidade contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir daí ele foi levado ao cais externo, onde as obras estão sendo concluídas. A embarcação terá capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo. São 160 mil toneladas e 226 metros de comprimento. No pico das obras, 1,3 mil trabalhadores estiveram atuando diretamente na operação.

A construção do João Cândido marca o ressurgimento da indústria naval brasileira. O País já foi o segundo principal produtor de navios na década de 1970. Depois perdeu muitas posições, deixou de fabricar embarcações direcionadas ao setor de petróleo e ago­ra está renovando a sua frota. Atualmente, os navios da Petrobras estão com 19 anos, idade considerada avançada (25 anos é o tempo de vida).

Fonte: Folha de Pernambuco/ROCHELLI DANTAS

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