A corrupção na exploração do petróleo africano - Wladmir Coelho


A importância do continente africano para a indústria petrolífera mundial apresenta-se em crescimento representando em 2010 10% da produção mundial. Esta produção iguala-se a soma do Irã, Venezuela e México existindo a expectativa de alcançar 15% do total mundial em 2020. Naturalmente o petróleo africano conhecido não encontra-se distribuído de modo equânime entre os 54 países do continente concentrando-se no território de 16 nações das quais destacam-se Angola, produzindo 2 milhões de barris ao dia, e Argélia com 1,9 milhões de barris diários.

Dentre os países produtores a Líbia apresenta uma reserva formidável de 56 bilhões de barris (a maior da África) condição não relacionada diretamente à produção em função do bloqueio unilateral estadunidense iniciado em 1986 suspenso, simbolicamente, em 2008 com a visita da então Secretária de Estado Condolezza Rice ao Coronel Kadafi. Naquele mesmo ano Tony Blair anunciou a disposição inglesa de anistiar o antigo “Estado pária” culminando toda esta bondade com autorizações para atuação no país da British Petroleum e Exxon Mobil dos EUA.

O incrível desta situação é verificar anúncios de descobertas fantásticas de petróleo por estas empresas associados ao debate competência das empresas privadas versus incapacidade das estatais ignorando-se a barreira levantada contra a Líbia impedida durante 22 anos de comprar os equipamentos necessários a manutenção e abertura de novos campos petrolíferos acrescido, este quadro, da asfixia econômica em função da limitação da comercialização do petróleo extraído.

A experiência líbia serviu de lição aos grandes consumidores de petróleo preferindo estes, através da diplomacia corrupto-petrolífera, negociar diretamente com governos abertos aos investimentos internacionais tarefa complexa segundo declaração de Stevie Laut, presidente da Canadian Natural Resource, ao site The Globe and Mail: “Não é fácil entrar nessa área [mercado petrolífero africano] você precisa construir relações intensas com o governo”.

Esta fórmula ilustra perfeitamente o quadro exploratório da Guiné Equatorial cujo petróleo descoberto nos anos 60 somente foi explorado em 1991 através da estadunidense Móbil. O modelo de abertura aos oligopólios, estes dos EUA, incluía o repasse direto dos valores arrecadados para a conta do presidente Teodoro Obiang oitavo presidente mais rico do mundo segundo a revista Forbes.

A simples apresentação dos números resultantes do marco regulatório implantado por Obiang provocariam euforia em qualquer neoliberal diante do crescimento fantástico da economia apresentando índices de 15% entre 2003 e 2008 experimentando um aumento do PIB de 126% a partir de 1991 e tudo isso graças a exploração privada do petróleo isso é competência. Entretanto, afirma um insuspeito e melancólico relatório do FMI, “ Infelizmente essa riqueza não efetivou uma melhoria considerável nas condições de vida”.

A política de segurança energética dos Estados Unidos inclui a proteção deste modelo impar de competência do modelo privativista destinando para São Tomé e Príncipe uma base militar em condições de atuar diante de qualquer ameaça – inclusive – ao avançadíssimo regime do presidente Obiang.

Os negócios do petróleo na África ainda reservam outras escandalosas relações entre o capital guerras, doenças, mortes. Voltaremos ao tema.

Por: Wladmir Coelho - Equipe UP

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