EUA têm interesse em importar petróleo do Brasil, diz ministro

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ontem, em Washington, que os Estados Unidos têm interesse em importar petróleo do Brasil no futuro.

“Foi mencionado, a título especulativo, que o Brasil pode se converter em um importante exportador de petróleo para os Estados Unidos no futuro, a partir de suas reservas do pré-sal”, disse Patriota, ao relatar reuniões que manteve com autoridades americanas durante sua visita de dois dias ao país.

O interesse americano no potencial energético brasileiro deverá ser um dos temas da visita do presidente Barack Obama ao Brasil, nos dias 19 e 20 de março.

Segundo fontes do Itamaraty, os americanos estão interessados em examinar oportunidades de investimento no setor de petróleo no Brasil, para garantir no futuro um suprimento adequado de combustíveis fósseis e reduzir sua dependência de fornecedores em regiões às vezes instáveis, como o Oriente Médio.

Em meio à atual crise política em diversos países árabes e muçulmanos produtores de petróleo, como a Líbia, os preços do barril atingiram nesta quinta-feira seu nível mais alto dos últimos dois anos.

Nos Estados Unidos, o barril do tipo leve chegou a ser negociado a US$ 103,41. Em Londres, o barril do tipo Brent alcançou US$ 119,79.EUA têm interesse em importar petróleo do Brasil, diz ministro.

Visita
As oportunidades de investimento no setor de energia serão discutidas especialmente na passagem do presidente americano pelo Rio, sede da Petrobras, e também durante um fórum de presidentes de grandes empresas a ser realizado em Brasília durante a visita de Obama.

Esse fórum vai reunir 10 presidentes de grandes empresas brasileiras e 10 de empresas americanas. Além disso, diversos empresários viajarão na comitiva de Obama, e está prevista a realização de um outro ciclo de reuniões empresariais, mais amplo, durante a visita do presidente.

Segundo Patriota – que chegou a Washington na quarta-feira para dois dias de reuniões com autoridades em preparação à viagem de Obama – o presidente americano deverá fazer dois discursos, um no Rio e outro em Brasília.

“Haverá um discurso em Brasília para um público mais do setor privado, empresarial”, disse Patriota.

O teor do discurso em Brasília deverá mais voltado para o setor comercial e econômico. Sobre o pronunciamento no Rio ainda não há definição de detalhes.

Durante sua passagem por Washington, Patriota se reuniu com a secretária de Estado, Hillary Clinton, com o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, com o conselheiro de segurança nacional, Thomas Donilon, o assessor econômico do governo americano Michael Froman e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.

Segundo o ministro, além da cooperação econômica e comercial, durante a visita de Obama também serão discutidas outras áreas de colaboração, como ciência e tecnologia, educação e energia limpa.

O ministro disse que os Estados Unidos têm interesse também em áreas de biocombustível, inclusive para aviação, além do intercâmbio de cientistas nesse setor.

Interesse renovado
Segundo Patriota, a visita de Obama – que também inclui Chile e El Salvador e é a primeira do presidente à América do Sul – representa “a sinalização de um interesse renovado pela região”.

O ministro afirmou que em 2010 o interesse americano pela região parece ter “caído um pouco”, devido inclusive a questões internas, como as eleições legislativas.

“De modo que nós recebemos como muito positiva a notícia da visita, que inclui não apenas o Brasil, mas Chile e El Salvador”, disse. “Em El Salvador talvez se reúna com outros líderes centro-americanos.”

De acordo com o ministro, a América do Sul pode se tornar uma parceira “muito interessante” para os Estados Unidos.

“Eu identifiquei um desejo efetivo de retomar o diálogo, de retomar a cooperação, de olhar para o futuro com renovado impulso”, disse Patriota.

Em seus encontros com autoridades americanas, Patriota abordou também o interesse brasileiro em vender aeronaves Super Tucano à Força Aérea norte-americana.

O ministro disse acreditar que há possibilidade de fechar a venda, principalmente depois de dois acordos na área de Defesa firmanos no ano passado entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: Da BBC Brasil em Washington/Alessandra Corrêa

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