Refinaria: cronograma pode mudar, e investimento cair

Rio Mais uma vez, o cronograma do governo estadual para a transferência à Petrobras do terreno onde será construída a Refinaria Premium II sofre o risco de ser postergado. Em entrevista coletiva na manhã de ontem, na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, o diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, garantiu que a estatal só entrará na área "depois que estiver totalmente regularizada". A afirmação coloca por terra a intenção do Estado de transferir o espaço para o empreendimento entre o fim de abril e início de maio, já que somente neste período a Funai (Fundação Nacional do Índio) dará início ao seu terceiro estudo de campo com o intuito de concluir a análise sobre a delimitação das terras da tribo Anacé.

"A Petrobras só vai poder começar a parte de supressão vegetal, cercamento e terraplanagem na hora que estiver tudo certo. Se não estiver, paciência. Não está nas nossas mãos", afirmou o executivo. Ele admite que o governo do Estado tem esforçado-se para resolver os imbróglios referentes à liberação do terreno, mas que é necessário respeitar a legislação. "São coisas que têm datas, estudos, análises, e a Petrobras só vai poder realmente entrar no terreno depois que estiver totalmente regularizado. Se isso demandar mais tempo, mais tempo vai demandar para ter a refinaria pronta. Não temos como passar por cima da legislação, do aspecto legal, com relação à parte do terreno", explica.

Funai ainda sem data
No último dia 16 de fevereiro, falando à imprensa, o governador do Ceará Cid Gomes disse que a doação de toda a área à Petrobras seria realizada no dia 30 de abril próximo, para que, com a liberação das licenças ambientais, a estatal pudesse trabalhar no terreno a partir de julho. Mas de acordo com a Funai, não há data precisa para a entrega do levantamento após os trabalhos de execução da última fase de análises em campo, solicitada em virtude da complexidade do estudo.

O processo é necessário para a caracterização do relatório circunstanciado de identificação e delimitação, cumprindo as regras estabelecidas pela portaria Funai nº 14 de janeiro de 1996.

A conclusão dos estudos antropológicos e etnológicos da Funai deve ocorrer até o próximo dia 30 de maio. Entretanto, na data, apenas o trabalho de campo deverá estar concluído, levando o resultado completo mais tempo para ser finalizado.

Simplificação
Corroborando a afirmação do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, de que as refinarias Premium I e II passariam por maior padronização e simplificação dos seus projetos, o diretor da estatal Paulo Roberto Costa disse estar "bastante esperançoso" de que os valores para a execução dos projetos serão reduzidos.

Para ele, que não detalhou a revisão das cifras, a contratação da americana UOP, especializada na área de refino, para a elaboração do projeto básico otimizou as plantas em termos energéticos e em tamanho da unidade. As últimas informações davam conta que a refinaria cearense teria um custo superior a US$ 11 bilhões.

Conclusão mantida
Apesar dessa modificação no projeto inicial, de produção de 300 mil barris de petróleo por dia, Paulo Roberto Costa informou que o prazo para início das operações dos projetos do Ceará e Maranhão não serão revistos, mantendo-se em 2017.

"Dentro do Plano de Negócios 2010 - 2014, a refinaria do Ceará está prevista para entrar em operação em 2017. Nós estamos hoje fazendo a revisão do plano 2009-2015, mas neste momento não há nenhuma previsão de antecipação da entrada da refinaria. Então, o prazo dela é realmente 2017", conclui.* O repórter viajou a convite da Petrobras.

ESTIMATIVAAquisição de equipamentos só no 2º semestre de 2012

Porém, para a estatal, muito ainda precisa ser feito para que o cronograma de execução não sofra atrasos

Caso o cronograma de execuções da refinaria Premium II saia conforme o esperado pela Petrobras, sem mais atrasos, a companhia dará início às primeiras licitações para compra de equipamentos para construção e montagem da planta no segundo semestre de 2012, de acordo com estimativas do diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa.

Até lá, muito trabalho precisará ser feito. Em primeiro lugar, será necessário o fim dos estudos da Funai para delimitação das terras dos Anacés. Também será preciso que a Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente), expeça a Licença Prévia (LP) do empreendimento para que a estatal dê início às primeiras intervenções na área. Como o EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) foi entregue em janeiro, estão sendo realizadas as audiências públicas, com Semace e Seinfra com as comunidades no entorno do empreendimento, para avaliar os impactos da instalação, a partir das quais poderá ser emitida a LP, esperada para 30 de maio. Em julho, a expectativa é pela liberação da Licença de Instalação (LI), com a qual a Petrobras terá autonomia para realizar a supressão vegetal, cercamento e terraplanagem do terreno. Já as desapropriações no espaço, conforme Paulo Roberto, baseado na última conversa que teve com o governador Cid Gomes, deverão estar finalizadas até maio. As sondagens do terreno visando a terraplanagem, de acordo com o executivo, terão fim ainda este mês.

Projeto industrial
A americana UOP, vencedora de licitação internacional da Petrobras, neste momento, está elaborando o projeto industrial das unidades de processo das refinarias Premium I e II. O planos estão sendo realizados em Huston, no estado americano do Texas. "Estamos com uma equipe nossa constante lá, e essa parte deve ficar pronta em meados de 2012, o projeto completo, que tanto vai ser usado na refinaria do Ceará quanto na do Maranhão. É o mesmo", detalha Paulo Roberto.

Segundo ele, os projetos conceitual e básico estão sendo elaborados pela americana, mas o detalhamento dele será realizado aqui no País, por empresa nacional, o que dará suporte à estatal para iniciar o certame para compra de equipamentos.

Navegação
Ontem a companhia fez o balanço do EBN (Projeto Empresas Brasileiras de Navegação). A iniciativa visa reduzir a dependência do País ante o mercado externo de frete marítimo, estimulando a construção de embarcações no Brasil, que prestarão serviços à Petrobras por 15 anos, favorecendo a geração de empregos e servindo de parâmetros aos trabalhos realizados pela Transpetro com as embarcações obtidas no Promef. Nas duas edições do EBN, foram contratados um total de 39 embarcações. As 19 incluídas na fase 1 serão entregue a partir deste ano e até 2014. As da fase 2 estarão finalizadas entre 2013 e 2017. O Ceará, carente de indústria para a construção de navios, por enquanto, ficou de fora das duas partes do projeto, que trará um custo anual estimado entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões de frete à empresa.

INFRAESTRUTURAProjeto cearense com energia garantida

Fornecimento da Premium II deverá ser feito a partir das linhas de transmissão que chegam ao Complexo do Pecém

Quando entrar em operação, em meados de 2017, a refinaria Premium II terá toda a infraestrutura energética necessária para o abastecimento do empreendimento. A garantia foi do diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Conforme disse, a parte relacionada ao fornecimento de energia já foi equacionada e não foram encontrados problemas. Ele não descarta, entretanto, a construção de uma base para geração interna da refinaria, mas de menor proporção com relação a que será encravada na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. "Vamos ter, possivelmente, alguma geração interna da refinaria, mas já está equacionado", afirma o diretor.

A preocupação no que tange ao abastecimento de energia da refinaria cearense surgiu após declaração do próprio executivo da estatal, no início do mês passado, de que faltava suprimento para o projeto pernambucano. Na ocasião, ele disse que a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) não poderia fornecer os 230 megawatts (MW) necessários ao funcionamento do projeto. Com a carência, a Petrobras precisou incluir no planejamento da refinaria uma unidade de cogeração a partir do coque de petróleo, estimada em R$ 980 milhões, para realizar o fornecimento, garantindo o funcionamento ininterrupto da planta.

Linhas de transmissão
O fornecimento da Premium II deverá ser feito a partir das linhas de transmissão que chegam ao Complexo Portuário de Pecém. Hoje, a área é abastecida a partir da subestação Cauípe, mas até 2014 entrará em operação a SE Pecém II, sob controle da Chesf . "Existem algumas refinarias que eu tenho geração suficiente própria e tem outras que não tenho e preciso comprar da rede. Quer dizer, tem um mix de geração. Obviamente, se eu puder comprar da rede com segurança e preço competitivo, é melhor do que fazer geração interna que vai custar muito caro ", diz.

Fonte: Diário do Nordeste (CE)/DIEGO BORGES

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