Gas Natural eleva plano de investimentos no Brasil

A Olimpíada de 2016 no Rio e novos projetos de infraestrutura previstos para o Estado tendem a alavancar os investimentos da espanhola Gas Natural Fenosa no Brasil. O grupo previu que as concessionárias de distribuição de gás natural controladas - CEG e CEG Rio, no Rio de Janeiro, e Gas Natural São Paulo Sul - vão investir mais de R$ 1 bilhão entre 2010 e 2014. Mas novas oportunidades mapeadas, como o projeto olímpico e o programa de habitação popular Minha Casa, Minha Vida, devem levar as empresas do grupo a investir mais R$ 600 milhões até 2016.

Ao considerar um horizonte de tempo maior, entre 2010 e 2016, o investimento total das empresas do grupo no Brasil poderá chegar, portanto, a R$ 1,6 bilhão. As novas oportunidades de investimento até 2016 vão se concentrar no Rio de Janeiro. O projeto olímpico poderá demandar investimentos de R$ 250 milhões pela CEG em projetos de ampliação de redes e novas estações de compressão para atender a uma nova frota de ônibus que poderá circular movida a gás natural. A empresa estima uma frota com 11,3 mil ônibus para a região metropolitana. Também prevê fornecimento de gás para a vila olímpica, aquecimento de parques aquáticos, cogeração e climatização de estádios e aeroportos.

Na área habitacional, CEG e CEG Rio poderão investir R$ 150 milhões até 2016 para fornecer gás aos beneficiados do programa Minha Casa, Minha Vida. O projeto pode ser facilitado pela adoção de tarifa social para o gás dentro do programa no Estado do Rio. As concessionárias da Gas Natural Fenosa no Rio também devem expandir a rede de distribuição para atender potenciais projetos de térmicas que podem ser instaladas no Estado a partir do leilão de energia A-3, previsto para este ano. Considerando duas termelétricas, o investimento das empresas do grupo pode superar os R$ 100 milhões.

Existe ainda a possibilidade de a CEG Rio investir R$ 108 milhões para construir gasoduto com 75 quilômetros e capacidade de 600 mil metros cúbicos por dia, no norte fluminense, para atender projetos industriais que venham a se instalar no porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

Bruno Armbrust, presidente da Gas Natural Fenosa no Brasil, disse que, além dos investimentos a serem feitos pelas concessionárias, o grupo estuda participar do mercado de geração elétrica no país por meio de térmica a gás. O Gas Natural Fenosa também analisa oportunidades de investir em energia eólica e em pequenas centrais hidrelétricas (PCH's). Só a construção de termelétrica a gás com capacidade de 500 megawatts (MW) poderia demandar investimento adicional de R$ 800 milhões.

Armbrust disse que outro foco de atenção da Gas Natural Fenosa, considerada por publicações especializadas na área de energia como a primeira empresa do mundo em distribuição de gás, é entrar em nova distribuidora de gás natural que venha a ser privatizada no Brasil. No total, o grupo está presente em 25 países e tem 20 milhões de clientes. O Brasil representa 6% do grupo no mundo em termos de Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês).

Segundo Armbrust, uma das metas da empresa para os próximos cinco anos é ampliar a base de clientes no país para um milhão em 2016. No ano passado, eram 817 mil. No Rio, a CEG e a CEG Rio começam a desenvolver o mercado de gás natural comprimido (GNC), transportado por caminhão, para levar o produto a municípios mais distantes da rede e que têm baixa industrialização.

O objetivo do grupo é alcançar todas essas metas via investimentos das distribuidoras. A CEG, que distribui gás natural na região metropolitana do Rio, vai investir R$ 635,1 milhões até 2014. Já a CEG Rio, responsável pelo fornecimento no interior do Estado, tem previstos desembolsar no período R$ 175,9 milhões, enquanto a Gas Natural São Paulo Sul (GN SPS), que opera em 15 municípios do interior do Estado, incluindo Sorocaba e Itu, pretende aplicar R$ 153,9 milhões. Os recursos serão investidos para ampliar a rede de distribuição e atender novos municípios. Há ainda R$ 56,5 milhões previstos para a Gas Natural Serviços (GNS), que atua na prestação de serviços em Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná.

Fonte: valor Econômico/Francisco Góes | Do Rio

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