Golfo à parte, lucro da Halliburton dispara

O vazamento de petróleo no Golfo do México ano passado abalou a maior parte da indústria de exploração de petróleo em alto-mar daquela região dos Estados Unidos, feriu a economia costeira e golpeou uma das maiores e mais poderosas petrolíferas do mundo, a BP PLC.

Passado um ano, no entanto, uma figura central na tragédia da plataforma Deepwater Horizon segue praticamente inabalada: a Halliburton Co.

Tirando a BP, que era dona do poço que explodiu - o Macondo -, nenhuma empresa foi mais criticada pela letal explosão e o vazamento resultante do que a Halliburton. A empresa foi a responsável pela cimentação do poço - cuja falha, segundo especialistas, permitiu que o gás vazasse para o poço e chegasse à malfadada plataforma.

Apesar disso, o lucro da Halliburton subiu 60% em 2010, para US$ 1,8 bilhão. E a empresa já começou 2011 com bons resultados. Ontem, a prestadora americana de serviços à indústria petrolífera anunciou que o lucro no primeiro trimestre mais do que dobrou -, para US$ 511 milhões. A receita subiu 40%, para US$ 5,3 bilhões.

A BP, por sua vez, registrou o primeiro prejuízo anual em 18 anos. Já a Transocean Ltd., dona da plataforma Deepwater Horizon, viu o lucro no ano cair mais de dois terços devido ao desastre e à consequente queda em atividades de perfuração.

O Golfo do México é parte relativamente pequena dos negócios da Halliburton. Além disso, a elevada cotação do petróleo fez com que a empresa tivesse trabalho de sobra em outras partes do mundo.

Mas Dave Lesar, diretor-presidente da Halliburton, atribuiu o sucesso financeiro da empresa ao "foco preciso" da equipe mesmo em meio à distração do vazamento.

"O negócio é continuar investindo em tecnologia, continuar investindo em capital, continuar investindo no pessoal, no relacionamento com clientes, em tudo o que mantém a empresa andando", disse Lesar ao Wall Street Journal no mês passado.

Lesar já enfrentou mais crises do que a maioria dos presidentes. Assumiu o comando em 2000, quando seu antecessor, Dick Cheney, saiu para concorrer à vice-presidência dos EUA.

De lá para cá, a Halliburton já foi acusada de defraudar o governo americano em milhões de dólares em contratos militares no Iraque (o que nega) e de subornar autoridades na Nigéria (lá, fez um acordo extrajudicial sem admitir qualquer ilegalidade). Além disso, gastou bilhões de dólares para escapar de processos ligados ao amianto em uma ex-subsidiária.

Segundo Lesar, os imbróglios anteriores ajudaram a preparar a empresa para a explosão do poço Macondo no golfo.

As outras crises, no entanto, resultaram basicamente de decisões tomadas antes da posse de Lesar e em geral envolveram atividades periféricas da Halliburton. Já a cimentação de poços está não só no cerne das operações modernas da Halliburton como é parte de sua história: Erle P. Halliburton fundou a empresa como cimentadora de poços de petróleo em 1919.

Várias investigações apontaram o cimento usado pela Halliburton no poço como uma das principais causas do desastre. A Halliburton afirma ter seguido as especificações da BP.

Segundo Lesar, a clientela não abandonou a empresa.

"Não vimos um único indício de que um cliente não tenha contratado a Halliburton em virtude do que ocorreu no Macondo", disse Lesar. Ontem, a empresa informou que sua participação no mercado do Golfo do México cresceu desde a tragédia.

Em sondagens feitas pela EnergyPoint Research, o índice de satisfação do cliente da Halliburton caiu no ano passado na comparação com o de concorrentes. Mas o diretor-gerente do instituto de pesquisa independente, Doug Sheridan, disse que a queda foi pequena e não pode ser vinculada definitivamente à catástrofe no golfo. Com efeito, os clientes da Halliburton classificaram os produtos de cimento da empresa como os melhores do setor no ano passado.

Uma grande área de crescimento para a Halliburton são os campos de petróleo em terra nos EUA, onde o uso de nova tecnologia abriu enormes novos campos de petróleo e gás em Estados como Texas, Dakota do Norte e Pensilvânia. A receita norte-americana da empresa cresceu 75% no primeiro trimestre, para quase US$ 3 bilhões.

Mas esse negócio também é polêmico. Grupos ambientalistas levantaram preocupações sobre os riscos de contaminação do ar e da água com o processo de perfuração.

Lesar disse que o processo é seguro, mas que a indústria precisa fazer mais para conquistar a confiança das comunidades locais.

Fonte: Valor Econômico/Ben Casselman | The Wall Street Journal

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