Variações do Preço do Petróleo


O valor do petróleo em se tratando do tema de forma objetiva, pode-se resumi-lo a uma questão de oferta e procura. Portanto, se a produção é reduzida por uma guerra ou conflito militar, como o que ocorre em 2011, na Líbia de Kadaf, o preço sobe porque a oferta diminui. Se as reservas de petróleo estão declinantes no Reino Unido, no México, ou na Noruega, o preço também deve subir pela mesma razão. Em sentido contrário, se a procura cai devido a uma recessão na economia mundial, o preço tende à queda. Se ocorrem descobertas de reservas abundantes como a do Pré-sal, é muito provável que as cotações do barril caiam da mesma forma, uma vez que a oferta tende a crescer.

Uma vez compreendido que o preço do petróleo varia em função da oferta e da procura, é muito importante ressaltar, neste ponto, que, quando falamos de petróleo, tudo é muito volátil. Diferenciando-se de outros recursos naturais com função de matéria-prima na economia mundial, o mercado de petróleo é governado pelo medo e pela especulação. Por esta razão, em 2008, quando todos aguardavam por uma recessão econômica mundial, que certamente reduziria o consumo de derivados, assistimos a uma brusca e desproporcional queda do valor do barril quando comparada à expectativa de declínio do referido consumo, guiada exclusivamente pelo temor dos mercados especulativos. Da mesma forma, embora a Líbia responda por apenas 2% da produção mundial de petróleo atualmente, um conflito político grave no país provoca uma especulação valorativa desenfreada, que dispara os preços, tudo por conta do medo de que outros países produtores sejam ‘contaminados’ por conflitos de similar teor ideológico, político ou religioso.

Um aumento substancial do preço do barril de petróleo devido aos referidos conflitos era tudo que o Mundo não precisava em 2011, quando começávamos a tirar a cabeça para fora d’água. Esta crise afeta principalmente a Zona do Euro, tão dependente da importação de petróleo e gás, mas tem potencial para atingir até gigantes como a China, já que, além da possível queda da demanda por seus produtos, terão que pagar caro pelo petróleo que importam, quando todos sabem que suas reservas estão muito aquém de suas necessidades.

Até mesmo os produtores árabes sentem-se ameaçados pela instabilidade da região por conta da ‘contaminação’ supracitada, e somente países mais afastados como Rússia e Venezuela verão suas receitas crescerem. No caso do Brasil existe um risco econômico de um lado, e uma grande oportunidade de outro, em contraste. A oportunidade consiste na queda do discurso daqueles que defendiam que se o Brasil não oferecesse muitas vantagens aos investidores estrangeiros, estes bateriam em retirada de nossas terras, e o Pré-Sal se tornaria um gigantesco mico preto.

Não se pode negar que o Pré-sal seja um petróleo de custo exploratório bastante elevados devido aos grandes desafios logísticos, ambientais, e tecnológicos da exploração e produção em grandes profundidades. Fala-se em algo acima dos US$30,00 pelo barril, enquanto no Oriente Médio é possível encontrar custos de produção de até US$2,00 por barril apenas. Todavia, em um cenário com o barril de petróleo acima dos 100 dólares, há lucro certo e gordo para todos, independentemente do custo de produção.

Há ainda uma grande vantagem oferecida pelo Pré-Sal brasileiro em relação a outras reservas de petróleo mundo a fora: o interesse dos investidores torna-se crescente conforme vislumbram a estabilidade de nosso país. No Brasil, não há previsões de riscos que possam paralisar a produção ou a comercialização de uma região inteira como haveria no caso de qualquer conflito militar que paralisasse a navegação pelo Estreito de Ormuz (no Golfo Pérsico), ou no Canal de Suez (Egito), por exemplo.

Em meio a tantos desafios e riscos, há a certeza de que a exploração destas novas reservas de petróleo turbinará a economia brasileira, em grande parte justamente por apresentar tantas dificuldades exploratórias. A expectativa neste tipo de cenário é pela geração de uma quantidade incalculável de novos postos de trabalho, o que ocorreria de forma mais branda caso o petróleo se encontrasse “à flor da pele”, como nos países árabes, que não oferecem tantos obstáculos.

Pode-se concluir, então, que assistimos a um momento histórico, embora também saibamos que ainda não há especialistas em quantidade e qualidade suficientes pra o desafio em voga. Corremos o risco de ver o petróleo contaminar o resto da economia, gerando inflação e excluindo da festa aqueles que não integram este setor tão valorizado atualmente. Não podemos nos acostumar ao dinheiro fácil, pois, como já dizia o venezuelano Pablo Peres, “o petróleo é o excremento do diabo”, e seus detentores estão sempre sujeitos ao perigo de sua ‘Maldição’.

Fonte: Mauro Kahn do Clube do Petróleo.

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